sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O menino-homem ...

O dia já amanhecera no bairro movimentado do interior de Campinas São Paulo. Numa sexta-feira em início de verão, vésperas de Natal. Ele fora despertado pelo Sol cálido que anunciava no horizonte, eram raios a tocar, a aquecer seus poros na cama desarrumada. O dia lá fora esperava-o. Sentou-se naquela cama macia, que um dia desejou dividir, confessar as grandezas dos seus beijos, dos carinhos, das entregas; somente com àquela que fora formada de coisas miúdas, àquela que fora reconhecida pela singeleza e fora nascida entre o sol e o luar, entre a palavra e a redenção.
Era custoso o alongar dos meus músculos e espreguiçar toda anatomia de um dia anterior exaustivo. Confesso, o meu olhar já se encontra mais reservado, quieto frente a sua alma que resplandece acolá. Mas recordo com alegria como era gostoso e inspirativo tê-la como abrigo na casa de sua palavra. Sua crença de que o Amor verdadeiro também é Poesia que revigora nossa Vida. Que eu era seu asteio e construia castelos nas areias e desenhavámos mares capazes de nos abrigarmos e velejarmos nesse mistério onde meu abrigo passou a ser alívio de suas angústias. Onde o nosso Céu poderia ser pincelado de qualquer cor. Enquanto que a mente, a inspiração é barco capaz de transportar nossos sonhos e materalizá-los em qualquer lugar. Por isso estou acoado, do lado de cá, numa reflexão de não saber o que dizer a menina dos olhos claros. O que dizê-la? Uma predileção urgente a mim e a nós mesmos? Um esconder-se em si, como face oculta que revela seu arcabouço do que confabulamos? Ou por que o Amor que ela nutri fora escondido tanto quanto minha ausência que se oculta e somos agora também?
Caminhando entre um corredor e o outro da casa. Em passos lentos vou ao banheiro, visualizo meu rosto no espelho, uma face de um rapaz de quase 27 anos. Vejo ainda refletir telas pintadas por pincéis que marcaram profundamente a pele, os músculos; as linhas na minh´alma. Tantas marcas, infinitos registros de amores e Amores. Toco meu semblante, sob a barba ainda por fazer e sem me dar por conta, retomo os pensamentos de que poderia ser a suas mãos menina, a afagá-las. Para permitir navegar as suas procuras. Pensei bem de relance. Mas eu pensei.
Nesse lambuzar de gostos e palavras que você tramitava em suas Poesias, mas que eu não degustei, não comunguei do seu desejo. Pus-me lavar o rosto, que fora também confidenciado pelas entrelinhas que deixei desalinhadas por aí, onde o meu sofrer sem dizer coisa alguma, configurou sua Salvação, a sua leveza e a minha Cura.
Após isso, fui até a cozinha, minha mãe preparava o café e sorridente dizia que meu irmão mais novo estava a chegar de Portugal para passar o natal conosco. Ouvi contente também, enquanto tomava o café com leite e comia um pão com manteiga quentinho. Acompanhando a fumaça que evaporava da xicará, ao mesmo tempo meus olhos fitavam as folhas do quintal, balançavam docemente e inauguravam os primeiros dias de verão. Permaneci assim por alguns minutos, enquanto as recordações daquela moça, retomava as minhas lembranças, a mulher dos lábios macios, vermelhos a cor de amora.  Contudo, a ausência que estamos ocupa o mesmo espaço, que eu escolhi, mas em territórios diferentes.
Acabei meu café. Dei um beijo na minha mãe e fui a mais um dia de trabalho. Sai por entre as ruas do meu bairro e com o gosto da refeição matinal na boca. Olhei para as árvores e vi igual completude dessas coisas tão simples. O mesmo que ela fora feita.
Esse processo das horas, espaço, das coisas em seu momento devido. O nascer desse Sol, enquanto àquela que fora moldada a seda, exala em seus escritos o cheiro de outono e primavera. E se enfeita de suas inteirezas, de sua falta de ar que é insuflada pela paz e o Amor que profere, mesmo partida. E sábia como ela, pôde em pouco tempo conhecer, degustar os meus sabores, das minhas palavras, do meu ofício. Enquanto que eu quis saborear das minhas ausências, não pude saber qual gosto trilha os continentes dela. A dimensão desse arranhacéu estrondoso e poético.
Uma mulher bela, de pele alva, de cintura fina, franzina, conseguiu tão bem se libertar de suas dores passadas, aliviá-las, olhá-las para trás sem tanto peso. Pequenina e assustada com tanto sentimento dentro de si, versou-me como seu Amor. O menino-homem da casa de suas palavras.




PS.: Imagens do Google.

(Fernanda F. Fraga)


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Minha Partitura...


Someone Like You by Aston on Grooveshark


Ó dor...
Dor sobre formas repartidas
A igualar-se a um compasso musical
Em claves de Fá e Sol
Com disposição não de três tempos
Mas de quatro.

Com pausas de Semibreves.
E ritornelos doridos de mínimas.
Com garoas de ventos frios de neves.

Ó sufoca-me esse meu pesar
Este meu Amor utópico
Que corrói nas funduras dos ossos.

A compor em meu ser:
Uma Partitura de Quimeras e Queres.
Sigo o dedilhar do Piano
E componho minh´alma
Que se perde em nacos.

Fico à deriva...
A por fim nessa Partitura
Da minha utopia desmedida.

(Fernanda Fraga)

PS.Imagem Weheartit

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Uma Lágrima...


As gotas que caem da minha íris, é refrigério de tristeza, cristalizada em ínfima alegria; pra alcançar o meu voo em redenção.

(Fernanda Fraga)

PS.: Imagens do Google, sem site especifíco.

sábado, 19 de novembro de 2011

Uma Bênção...


Um desejo:
Caminhar sobre um Céu mais azul e por territórios mais e mais tranquilos...

(Fernanda Fraga)

Ps.: Imagens do Google sem site específico.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Onde nossa duração agora, já é eternidade...


Percorro a demora deslizante da ponta do lápis a reticenciar sua alma no papel da minha pele. Nesse exato momento o grafite turvo-cinza encontra seu colo regendo-me numa oração serena. Cristalizo o verbo conjugado experimentado por nossos lábios; e alguns rabiscos por não passar e a ficar à espera de qualquer instante. Por viver, e eu vivo uma cronologia dos segundos, onde nossa duração agora, já é eternidade.
Ocupo-me de idas e retornos; agendas, roteiros e compromissos; de tempos a abrir e fechar os cílios olhando o céu que se resplandece quando o Sol beija o íntimo e liberta. O mesmo solo, o único; que me tem alinhada por meio dos seus sorrisos a sustentar os brotos, que de ti me Floresce. Envolvo-me a escrever mais e mais o que a Poesia me propõe: purificar qualquer coisa; qualquer pano de fundo que me seja encontro, troca.
Deito-me, levanto e já descalculo os ponteiros do relógio do quarto. Abro e fecho as janelas e não te encontro. Inquietou-me e evaporou na minha pele doçuras. O agora firma meus desejos e sonhos representados dias e noites. E acordei vendo você amanhecer em mim.
(Fernanda Fraga)


domingo, 13 de novembro de 2011

Espetáculo e Platéia...


Ouvia-se o barulho reluzente lá do lado de fora. A chuva caindo naquela noite, espetáculo e platéia. Embasavam no vidro as saudades, as sequidões, clarões no céu. Amando-se um ao outro. Anunciavam que o Amor é imensidão de duas almas em uma só. Impulsionava, insuflava em seus pulmões o ar precocemente aprisionado nas esquinas e ruas de outras paixões. Os fazendo revestir noutro dia manhãs de céu azul. Mas a noite inaugurava trovões no peito, os fazendo explodir mutualmente no mesmo compasso. Por querer sair do casulo das lonjuras e tecer águas-oceanos de você-em-mim. Ele simplifica e juntos somam. Imundam-se, anseiam-se um ao outro, deseja-se o outro ser-em-nós a plenitude de gozo e glória.
(Fernanda Fraga)

sábado, 29 de outubro de 2011

Rastros...


São esses instantes despretenciosos que te vejo chegar, num passo rápido initerrupto. Deixando o rastro de querer você. Bem perto, bem livre... Diluindo-o todo em mim. Sua inegável passagem em fazer renascer os meus dias com as cores dos girassóis. Rabisco com lápis de giz-de- cera a rapidez que chega e suas demoras de quando se vai. O seu colo é meu encontro, as letras, as palavras soltas, enquanto você não vem.
Sou beijada nesses instantes por seus lábios, nas pétalas dos seus sóis. Procuro não pautar o que esse passo veloz, demorado poderá um dia vir a ser. Mas digo que as letras dos nossos nomes juntos são plurais, múltiplos: por você ser o verso, e eu a poesia. São esses instantes de presença-ausência que descortina a rapidez do encontro, sem desinsuflar a vida e nem ofuscar despercebido o brilho do sol.
(Fernanda Fraga)

domingo, 23 de outubro de 2011

Minha retina na sua íris (...)



Adormeço quieta, com os olhos entreabertos, fixos a margem das nuvens de algodão. Sopram cataventos na persiana do quarto. Espirais coloridos refletem sua face, o queixo quadrado, o sorriso gracioso a desaguar em mim.
Mas não sei... não vejo seus nuances como outrora, está desfogado, afrouxou esse espaço visual entre a minha retina e a sua íris. Parece está em contramão o seu agora, seu despertar perpassando as cortinas das minhas manhãs com sua luz. Enrolada por entre os lençóis da minha cama e os arrepios da pele.
Me desperto desatenta: Onde está meu Céu estreladinho? Cadê ele?

(Fernanda Fraga)


sábado, 22 de outubro de 2011

Ancorar o Sagrado...


Creio numa distância demarcada geograficamente. Mas elas declamam e se unem por fusos horizontonais: alma e corpo. Desbravar o Sagrado e entender que o amava, mas amava o que ainda ama sem o ter. Talvez uma forma redentora de distrair a Alma, usamos alguns meios de prosseguir o rumo, remar frente as tempestades que os “outros”, aqueles “outros” nos fizeram ilhar por entre os vendavais e naufrágios de suas próprias desistências.
Uma pesada desconfiguração lapidadas por cristais de vidros transparentes, que (eu) ousei tocá-los com as gotas da poesia. E me assentava lá naquele banco, onde já avistava seu pôr do sol. Partir nessa lonjura de se chegar a esse arquipélago, remando o barco onde se permite que o hoje sopre as brisas de Você. Âncoras lançadas ao mar, de renovações e encontros.
É exaustivo e o cansaço em ser velejante de arquipélagos de chegar as possibilidades do que realmente me reintera, são as desistências. Aquele que decidiu navegar comigo até a linha de chegada como quem canta as glórias e os seus fracassos, pode tentar enxergar a prevalência do que pode vir a ser: o algodão doce, minhas poesias, por sobre os pincéis de suas palavras. E eu percebo ainda que os que desistem de nós são fraquejados pelas circunstâncias, não conseguem segurar a "barra". Os vemos escorrer, escapar o que no tempo, não permanece.
Assim versando o infinito das minhas palavras e suas entrelinhas, reconheço as regras de se chegar juntos a esse encontro. Passo a dar lugar não ao que deve ser útil, nem ao que prende, mas que no Amor me transforma. Percebo ainda das inúmeras vezes que naveguei pensando que o outro também estivesse fundamentando nisso e pareceu decidir ser âncora, aliança, ser poesia, ser Amor.
Fui golpeada pelos escorregões das gotas das chuvas que instabilizaram meus pés, meus braços e deixaram meu navio inseguro. Então, é quando eu percebo que o outro já desistiu de mim há muito tempo e eu já percorria sozinha. Remou o barco um certo tempo e depois deixou-me à deriva. É o que mais dói encontrar-se solta, descobrir ao virar o rosto e ver seu navio já vazio. Machucada com alguns hematomas e arranhões, mas inteira.

(Fernanda Fraga)

PS.: Imagens do Google, sem site específico

sábado, 1 de outubro de 2011

Amores (Par)tidos...



 “O Violoncelo de Georg esfola os ouvidos.
Um choro verdadeiro, sôfrego, contindo.
O choro dos amores não correspondidos.” (Lídia Martins)

Uma lança perfurada, nas almas dos aflitos.
Parte enfurecida, desprevenida, nos corpos benditos.
Alegorias encontradas,
Solfejo permitido, ardente,
Mas partido.   (Fernanda Fraga)

PS.: Esse poema foi inspirado em um Tweet da poetisa Lídia Martins, ela fez a citação do trecho acima inserindo o vídeo do You Tube da obra de Tschaikovsky Valse Sentimental, mas tocada pelo violoncelo Georg, daí me veio esses versos aí abaixo. Pra visualizar o blog da Lídia Martins é só passar o mouse sobre o nome dela lá em cima.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Entregues...


Não sei. Mas as esperas em nossas vidas vem se tornando cada vez mais exaustivas. O agora, em seu tempo, se tornou obra-prima inatingível. Porque eu quero a sua realidade pintada com as cores dos nossos segundos. Não queria que o cansaço viesse tomar conta de mim, o ar está ficando pouco. Afetivamente ando em pausas, não gosto desses desajustes, e não pretendo entregar os pontos como das últimas vezes. Pois outrora havia fechado as cortinas do tempo e me escondi.
Por isso meu calendário vez em quando parece findar em seus dias mais leves. Ele quer assim, untar as horas; nos seus minutos. E desde que o conheci renasce em mim girassóis, mas aquieta ainda as dúvidas, aqueles nuances nebulosos de ficar e fugir. Se és meu girassol, anseio florescer todos os dias em seu jardim.
Gosto desse compasso, dessa dança, do movimento da vida, desse palco que você me reina, que você me beija, que você me pega e abraça. Que você me poetiza, que você me tem tão sua, como nunca alguém me teve antes. Dessa leveza que você me traz. Dessas rimas tão bem encontradas. É tão bonito, me traz um ar tão puro. Uma brisa suave arrepiando minha pele todas às vezes que você chega, e descongestiona o ar.
Quero viver desses sorrisos que você me abre, me escancarar daqui, mesmo estando daí. E deslizar nossos pés nesses solos sagrados que unem chegadas. Moldar as minhas, com as suas mãos impreguinadas de nossas digitais. Enlaçando minhas pernas em seu colo assim: Corpo-a-corpo, totalmentes en-tre-gues. Amor, você quer vir junto?

(Fernanda Fraga)

PS.: Estou de volta, resolvido o problema no meu blog, fiquei sem conseguir postar. E de quebra, sou fã desses jovens aí do vídeos eles participaram das olímpiadas de Vancouver em 2010 e eu amo patinação artistíca no gelo, é uma poesia corporal inacreditavel.


sábado, 17 de setembro de 2011

Cabe...

Agora cabe é a poesia nas verdades intimidadas
Cabe tudo o que é pleno.
Sol no rosto, beijo cálido.
Felicidade pertinho, junto, bem-dentro.
Cabe agora brisas aleatórias,
Janelas abertas, limpeza de alma.
O laço de fita enfeitando suas mãos.
Cabe, cantigas, prosas e o doce-de-leite
O verso confessado
O amanhã a completar no seu agora.
Cabe os verbos e seus pronomes.
O meu infinito a preencher todo seu espaço.
Agora não cabe, as paixões.
Os venenos destrutivos, aqueles passageiros.
Agora cabe o que veio pra ficar.
Cabe o que for Amor.

(Fernanda Fraga)


PS.: Imagens do Google, sem site específico.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Brevidade...


Aquele canto preso que se solta afoito-alegre: é só pra ganhar você pra mim. Ela não teme qualquer desafino. Ela é ternura que escapa nas plumas das nuvens do céu. E repousa sem aviso prévio no seu colo. Afaga-lhe com seus lábios lentamente, como quem quer eternizar qualquer instante.
Escreve na areia seus desejos, Amor meu. Escreve vai?! Uso lápis de giz-de-cera para colorir, preencher os papéis em brancos de sua vida. Descongestiono sua rota: âncora que se fez em ti; até a mim. Brisas que se desdobram nessas folhas de desenhos costurados por palavras suas.
Ela fica a contemplar esse Sol sim, que lhe renasce por dentro. Seu olhar alcança seus territórios, deseja vencer as lonjuras, a imensidão do mar.  Rito ancorando o meu olhar que te intera. Ela é espera que derrama por entre seus dedos. Seus passos são valsativos, o vendaval  é rápido e ela vive a brevidade, dentro do seu tempo.

(Fernanda Fraga)



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

(...) Das demoras...


E se ele demora?
Oooh... se ele demora!
Eu bordo a lua cheia.
E faço dela sua claridade, para ser silhueta minha.
(Fernanda Fraga)




terça-feira, 30 de agosto de 2011

Como pode, menina, me diz?


"Como pode, menina, me diz? Como você ainda acredita nessas coisas? No quê? Você sabe: nas pessoas, no amor, num amanhã melhor do que o hoje. Te vejo suspirando pelos cantos, traçando planos mirabolantes, jogando palavras ao vento, e me pergunto como você consegue, de onde você tira tanta determinação? Deve ser algum tipo de predestinação, alguém um dia decidiu que você carregaria esse peso sobre os ombros: ser uma sonhadora. E você se apoderou do título. Teu sonho conduz tua vida, direciona teus passos, molda teu caminho. E você não desiste até alcançá-lo. Não cansa não? Acreditar na vida assim, procurar tanto por um amor, quando o mundo lá fora grita que não há mais espaço para finais felizes, muito menos para "felizes para sempre"? Onde já se viu sonhar com amores eternos num mundo tão fugaz? Contos de fadas não existem mais, menina. Todas essas loucuras com que você sonha, as cenas de filme, os pores de sol, as declarações inesperadas, o amor maior do que tudo, tudo isso talvez seja coisa de outro mundo. Me perturba vê-la aqui parada nessa estação à espera do trem que te levará a esse outro mundo. E se ele não mais existir? E se uma onda gigante destruiu o que restara dele? E se todas as pontes que permitiam o acesso foram destruídas? E se? Existem tantos outros trens com tantos outros destinos diferentes, por que insistir nesse destino desconhecido? E se não chegar nunca? Eu sei, você vai dizer que não desiste até chegar lá. Mas em algum momento a espera deve machucar, não? Como naquela vez em que fostes arremessada de forma abrupta do trem que te levaria até lá. Te observei em silêncio, menina, e dessa vez achei que fosse o fim, que você não voltaria jamais a esse ponto de espera que poderia te levar novamente àquela dor incessante que sentias. Mas você voltou. Rasgou pedaços de papel, chorou, sumiu daqui por uns dias, se trancou em seu mundo, mas voltou. Quando eu menos esperei, te vi sorrir ao sentar em frente à plataforma. Lá estava você: cabeça erguida, malas prontas para começar tudo de novo. Esse amor pela vida exposto em cada poro do teu rosto. Você ressurgiu com esperança. De onde sai tudo isso, menina? Que chama de esperança é essa que não apaga nem com as chuvas e rajadas de vento que a vida lança sobre ti? E essas lágrimas que vez ou outra caem? Não te ensinam nada? Não te dão uma lição? Não, a resposta provavelmente é essa ou então algum daqueles clichês de gente lunática que falam sobre volta por cima e lágrimas serem parte da vida. Lembro daquele dia em que te vi chorar e você sorriu em meio às lágrimas quando me viu e disse baixinho: "Eu ainda acredito." Esse deve ser o teu grito de guerra, menina. Suspeito que no meio da tua angústia, você levanta e brada que ainda acredita. Admiro você. Admiro a sua coragem e sua entrega. Mas me diz, menina, mesmo assistindo de perto a todas essas chegadas e partidas dolorosas, você ainda acredita? Eu acredito até o fim."
(Nicole F.)



(...)
"Bela menina
Dance a vida, bela menina!
Tudo o que vier a ser.

E lá, ela vai, sem medo!
Com sua sapatilha de ponta
Que na arte ela desponta

A seguir o dedilhar, os arpejos do piano
Alegre, andante
Nos palcos da vida." 
(Fernanda Fraga)

PS.: Eu precisava muito postar esse texto que encontrei na internet aqui no blog, não sei se a autora realmente é essa, mas caso não seja por favor me avisem que menciono os créditos. Esse texto é muito eu, exatametne assim, entregue. Emocionante, lágrimas de muitas, todas.


domingo, 28 de agosto de 2011

(...)Eu quero o hoje...


Essa ressonância que interliga os dias, as horas, as nossas. São compassos marcados por suas pulsações. Sem demora, sem alarde. Durações do mesmo passo. Poros em desassossego que salmodizem suas medidas.
Despenca pura, seu gosto, sua chuva. Água corrente que me faz bem, arde-desfola sempre viva.
De um jeito que chega e carrega no colo sua fluidez, sem pedir licença. Seria arrebatada por tudo, pelo que sou e pelo o que um dia fui. Mas não temo a nada, por ser sereno seu pulsar. És feito de algodão-doce e calda de chocolate, e na surdina faz-me provar-te calmamente nas pontinhas dos meus dedos todos. Mas apenas molha meus lábios sequiosos, que quer encontrar o céu de sua boca na minh´alma. E a contar as estrelas sem medo de nascerem bolhinhas nos dedos. Provar-te-ei desprevenido.
Bordo uma vastidão de jardins e desenho no espelho de sua alma, qualquer estrofe, qualquer início, qualquer encontro. Rasgo, estadalhaço quaisquer verbos do amanhã ou depois.
Você aguça os meus sentidos, e eu quero o hoje; no seu tempo, na sua chegada.

(Fernanda Fraga)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Pra não doer...


Complicado e estranho demais não saber. Não saber onde estão fitados seus olhos, onde estão entrelaçados seus abraços. Qual acorde modula aquela frequência eu-você: nós. E onde ainda aquieta seu corpo, seus suspiros. Gotas de suor exaladas na pele, nos poros na sua alma-em-mim. Arquiteto sonhos e futuros e me alimento, em silêncio, desse instante de um tão perene e ligeiro sim.
Complicado e estranho demais não entender. Não entender em que parte dos teus olhos estão os meus horizontes, onde estão suas esperas. Qual tempo pousa aquela tua presença no meu agora, aquela frequência eu-você: o mundo. Penduro esse laço de poesia nos dedos enquanto andamos com pequenos passos de encontro, enquanto o apesar não pesa tanto, enquanto o minuto perdura doce.
E penso, quando eu – quem sabe? – estiver pronta e atenta. Quando o coração decifrar a distância que existe entre a coragem e a ausência, o nosso perto estará enfim junto e dentro? Por conta disso ando pisando em plumas no ar, desviando minha atenção em outras coisas, pra não ficar pensando, pra não sofrer por antecipação, pra não doer.

Mas o dia sempre termina nele.

(Fernanda Fraga &
Priscila Rôde)
 


domingo, 21 de agosto de 2011

(...)Só o Amor fez Deus em você.


Ela encontra-se absorta e envolvida nas letras de seus nomes. Nesse chão de outonos, invernos que o horizonte desponta no alpendre de sua casa. Você fez-me coração perfumado e seria ela uma flor-de-lótus, fênix liberto, refrigério solto nos cílios seus.
Talvez fosse uma trilogia que a noite derrama e pede: clame ao Sol o seu esperar, o piscar dos olhos. Um intento seu que só lhe cabe agora ou depois. Disposta estaria, acordar – renascer, despertar você aqui do meu lado, com mimos ao pé do ouvido. Repetia ela aqueles refrões, sustenidos que em seu tempo eram inaudíveis, mas transcritos nas partituras ainda em branco. Por hora compassadas pelos silêncios nossos.
Ficaria ali tentando entender tamanha proximidade, tantas coincidências. Esse jeito sublime que o vento faz sua curva e vem nos beijar no espaço grande-minúsculo da distância nua. Pequena diminuta que abre o arcabouço do preenchimento de nossas linhas. E você eclodiu à enésima potência nela o Amor maior, o querer–bem, até o que parece longe, pequenino, brumoso. Por que tudo o que é adiante agora, tem a mesma letra, o mesmo tom. E sei que só o Amor fez Deus em você.

(Fernanda Fraga)




domingo, 14 de agosto de 2011

Resgate


Sôfrego desejo. Vem eloqüente, com solfejos tarjados de ebulições a calmarias.
Fez-se um transferível templo seu. E pude assim te encontrar. Nas belezas, nos ares; nos meus naufrágios recolheu.
Resgatando em mim todas as suas multidões de ser só, e ser em mim. Desvendar o indivisível que sejas tu (nós). E deixar enfeitar-te com flores seus caminhos e os jardins. Porque eu não sei quantas vezes seu barco ou seu remo já perdeu na água rebuliça e se ficou emperrado na areia. Não sei quem te feriu mais; eu não sei homem da Ilha. Mas digo que aqui os sinos já tocam, os ouço ao longe. E os Candeladros foram banhados no canto da sala de jantar, a qualquer anúncio; a qualquer chegada. Coincidências dos Girassóis e desses horizontes sem tamanho, mas de encontros.
Posso dizer que meus naufrágios foram muitos, muitos. Já emperrei meu barco em um sertão, retalhado de sequidões. Arada de fome, cansei-me, doeu-me e recolhi para algum farol longe de mim mesma, a espera do seu resgate.
Mora em minh´alma também fragmentos seus, suas doçuras, os beijos e nossas redenções. Certezas de que tudo é entrega, vontade, plenitude. Começo de resplendor, para contemplar o pôr-de-sol que está em ti.

(Fernanda F. Fraga)



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Na Moldura Dela



Bordar-se-ia ela, a moça e seus trejeitos todos.
Costurava-se-ia ela panos e alinhava-se-iam seus sorrisos;
Entre os cantos das esquinas e os sorvetes saboreados na vila ao lado.
Bordar-se-ia ela, suas saudades nas linhas coloridas. Idas suas (des) encontros.
Vestia-se ela, de seus bordados de lã. Ingênua, pura. Feminil.
Alinhava-se-iam seus carretéis nas cambraias sem medidas.
Vestia-se ela, de nós dois: bordados de sua boca, novelos das manhãs de Sol.
Na moldura dela de ser.

(Fernanda F. Fraga)



P.S:  Inspirado na prosa poética: “Da Moça" da poetisa Talita Prateshttp://historiadaminhaalma.blogspot.com/2011/07/da-moca.html – Fiz um comentário dias desses lá e rendeu essas pequenas estrofes, que posteriormente finalizei.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Tão Perto...




Tão Perto

Vem-me a dor atroz
Que em prantos e clamor deixou-me.
No todo Amor que inebria minh´alma.


Mais uma vez
Fui vitimada pelo punhal!

Nua. Despedaçada em silêncio.
Como finas lanças, cortantes, lascivas.
Ao avistar-te com aquele alguém.

Um alguém com meus trejeitos
Com afeições, com meu ser todo.
Essências, emoções, de Poesia a enredo.

Mas uma vez

A sua espera fiquei
E tão perto da tua alma, de tua tez.
Quase pude alcançar seu coração
Tão próximo cheguei!

Desde há pouco...
Tão recente o seu romance
Vem-me a dor veloz
Forte e cortante.

E como outrora
Desfez as esperanças
De contigo pra sempre ficar!

Assim te interrogo:
Porque buscou iguais semelhanças?
De Poesia a enredo?
Afeições, gestos e molduras?
Porque não buscou a mim?
De alma serena e rara doçura?!
E assim digo:
Eu é que devia estar contigo!

Restais agora:
Meu silêncio e teu punhal!
Tão perto cheguei, quase cheguei,
Uma dor veloz,
Que vem e me consome!

De mesmo enredo,
Mesmo Amor,
E mesmo nome!

(Fernanda F. Fraga, 20 de Janeiro de 2009)

PS.: Escrevi esse poema há uns 2 anos atrás. Hoje estou bem melhor, mas quando olho pra trás e vejo tudo que passei, a cicatriz ainda continua lá, quieta. Bom, mas a pouco tempo fui vendo o trabalho da cantora Adele e me apaixonei, principalmente com essa música, não canso de ouvir. Lágrimas na alma e emoções à flor da pele. Então, nos meus acervos aqui, escolhi esse poema; que tem algo especial pra mim, de uma situação o qual vivi e faz de alguma forma grande ligação com a letra dessa música.

sábado, 30 de julho de 2011

Nos Sóis de suas janelas...



Quis entender essa fábula transcrita por ele. Achou saber contar as suas prosas de cor. Mas ele a tem entre seus dedos, como cordas de um violão polido a ouro cristalizado. Tão perto e tão livre. Traços de uma alegria infinda, florescente. Ela se derrete toda, rasga as muralhas que a mantinham ‘presa’ e aumenta sua sede, sua intensidade, soltando-a em aurora destemida.

Aquece seu colo com a certeza que o riso, será sempre o encontro dos laços que costuram nos sóis de suas janelas. Navega ela por suas entranhas, poros; suspiros enfeita-lírios as curvas dos seus encontros. Desenhando suas inquitações no avesso em verso semi-cromado.

Leveza de um enredo nunca antes esperado, um Crepúsculo assim descortinado. Vivia em desatinos, arranhava suas verdades e passava a temperar pausadamente suas respostas, até os seus quereres. Ela tece arranha-céus, desfolha suas eternidades, uma paz de querer bem, de querer-te sempre por perto.

Rabiscam também seus desejos, anseia colorir o hoje e os amanhãs. Delicadezas de suas fecundações, íris que você focou em sopros em minha direção, por sob uma luz em céu calmo. Um hálito quente que arrepia minha pele e atiça em desejo cedido. Redi-me a ti. Na varanda onde nosso verbo bendizendo quer Amar.


(Fernanda Fraga)

PS.: Imagem do Filme 'Querido John', retirada do Google, sem site específico.

sábado, 23 de julho de 2011

(...) Andante em minh´alma o que na sua já escapou.

Hoje meu blog completa um aninho, queria agradecer imensamente a todos os leitores e seguidores que perpassam por aqui e tiraram e tiram um minuto do seu tempo para degustar das minhas palavras, porque é preciso passos mais cautelosos, suspiros mais calmos, olhares mais ternos para lê-las, sentir-me assim tão eu, tão sua. Eu as escrevo também como quem dedilha um piano, decifrando notas musicais: Colcheias, pausas, breve; em semibreves sons. E vou apurando também assim como um corpo em movimento, arpejando andante em minh´alma o que na sua já escapou. (Fernanda Fraga)


Deixo pra vocês meus queridos nesse um ano de postagens e interações esse poema abaixo:


                                                                    

Nos Passos da Bailarina

Lá vai, doce bailarina!
Em seu compasso rápido
Alegre, andante!

Ó, bela menina!
Com sua sapatilha de ponta
A dançar passos firmes, triunfantes!

Vai doce bailarina!
A seguir minhas sinfonias
No dedilhar do piano

Bela menina
Dance a vida, bela menina!
Tudo o que vier a ser.

E lá, ela vai, sem medo!
Com sua sapatilha de ponta
Que na arte ela desponta

A seguir o dedilhar, os arpejos do piano
Alegre, andante
Nos palcos da vida.

(Fernanda Fraga)
OBS: Imagem retirada do Google, sem site específico.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Por que existe Saudade?


Essa palavra tão suave
Que comprime o peito
E corre nas hemácias
Em nós eternos mortais.

Revestidos de uma capa
Que sangra...
E ao mesmo tempo (re)vive.

Por que existe Saudade?
Este vão de Amor
Que subsistir aos laços,
Do que não é permitido
Ou talvez, do que não nos é revelado?

Por que existe Saudade?
Este sentimento que segrega a vida
E prende-nos como servos da sensatez?

Por que existe Saudade?
Este duelo que os poetas ensaiam
Entre beijos-beijados
Entre o ódio-amor e o Amor-amado?

Por que existe Saudade?
Essa sensação tão complexa
Que resume ao coração a certeza
De que certos Amores, não estão ao alcance
Não ao alcance dessas mãos; porque eu sei,
Este Amor está!
Mas é um Querer
Que é moldado da insensatez humana!

(Fernanda F. Fraga)

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Imagem: Google sem site específico.

sábado, 9 de julho de 2011

(...)Estrelas no Céu de sua boca...


Ela é Sol banhado da imensão de clareias. Claráguas fez ela em ti. Porto de encontro em farol iluminado de lonjuras. Auroras unindo pontes d´uma geleira azul perene. E nós, vamos por entre as plumas e flocos de neve, em nuvem navegante. Uma clara água que deságua por aqui. Alva alma que acalma os bandolins.
Por ser etérea de sabores untados e embebidos de Céus, e beijos feitos no caminhar. Ela ainda segrega nas pontas de seus dedos, seus afagos; que ele deixou com canelas e caramelos. Afinal, os lábios dela também se tornaram arquipélagos seus. Claras águas de ilhas e ilhéus. Um oceano infinito que se abriu desmachando arcenais de urgências ali contidas.
Ternura vertente nas águas e dunas. Uma comunhão de floreios que ambos se desmachavam um ao outro. Por entre as reticências, foram entregues; que ele a faz respirar leve e a faz sentir as estrelas no céu de sua boca.

(Fernanda F. Fraga)

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Flor-de-lis

Uma verbena de sais caiu por aqui
Jardim de raízes de cofre dourado
Origames, digitais...
Morada de Amor sazonado
Clareira amanhecida em ti.
Lua-rosa, flor-de-lis.
Aridez dos lábios
Resquícios dos beijos e de bis.

(Fernanda F. Fraga)

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domingo, 26 de junho de 2011

(...) Trago-lhe pelo Avesso...


O mar manga-mel,
E seus afluentes.
O tilintar das Ondas
Vai e vem em mim...
No chuá-chuá
Diluo sem vírgulas
Mergulho assim...
Trazendo-lhe pelo avesso
Nas singularidades do Amor,
Sem culpas.

(Fernanda F. Fraga)
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sexta-feira, 24 de junho de 2011

(...)"Almas estas que se somam juntas (...) "


De quando a alma se abraça envolta pelos caminhos seus. Meus pés vão deambulando suas delicadezas. Você chega ofertando: vogais, versos, risos, músicas, trovas e o Amor. Um carinho em conta-gotas. Há tanto de se preparar, decorar, colorir, repitar. Ouço sua voz ao longe enfeitando com giz de cera a janela do meu quarto. E por hora surge um arco-íris de seus risos de cantos-plurais.
A de se preparar algum jantar sim. Cálices de vinho, talheres, os pratos e as aligarias. Convite que vou cobrindo os seus dias, com raspinhas de canela. E beijar os seus lábios de veludo-seda. De quando quem quer deitar na grama da praçinha e comer algodão-doce.
É prazeroso e bonito caminhar nesse horizonte de distâncias nossas, de quando em tempo almas estas que se somam juntas. E recolhe do infinito as asas da poesia.
E de quando for chegado o jantar, a mesa estará posta. E um pouquinho de mim já se refaz inteira em Você. Na penumbra das noites que anunciam vago pensamento, desejos de suas mãos dedilhando minha cintura.
Os quitutes estão sendo feitos, o vinho, os pães, chocolates e morangos. E o inverno faz alerta pros seus abraços se deslizarem aos meus, em intermináveis afagos que aquecem e faz morada minha. Vem que aqui tem doce de leite e jabuticaba no pé.

Fernanda F. Fraga

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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Componho: Uma Canção Pra Você



                                                         Uma Canção Pra Você
                                          

Hoje, eu canto o Amor
A canção mais terna,
Que faça te despertar
Do outro lado dos montes
E contemplar-me.

O coro mais belo, afinado!
A declaração de um Amor complacente!
Onde apascento os rebanhos do meu Amado

Por vezes a conduzir o vento
Vou dedilhando notas, ante todo sentimento.

Hoje, eu canto esse Querer
Musicado, afinado, esculpido
Por flautas, pianos e violões benditos

Hoje, eu canto a inspiração
Transpondo seu encanto
Da minha respiração, nos versos continuar!

Na maestria do Amor, a reger
Como um concerto a quatro mãos
Nas cordas, flautas, pianos e violões benditos
Componho: uma canção pra Você!

                                           (Fernanda Fraga)
PS.: Para Você ressonância da minha própria Alma.


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quarta-feira, 8 de junho de 2011

(...) Aguando lábios meus sequiosos de Você...

E eu amei sem te conhecer. Um desconcerto desnudo em ver-te na pele de dentro. De um Amor farto. Cuidadoso. Eu amei Você assim, sem reservas. Distraída. Preso a mim, solto aurora esculpida nos tornos das minhas mãos. Lancei-te ávida assim em lua cheia embebida. Pôr-do-sol premeditado, aguando lábios meus sequiosos de você.

(Por Fernanda Fraga)

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Trazendo Você, com um beijo em minha face!



Face a Face
                                              
Deixe o vento...
Tocar aqui no meu rosto
Deixe que ele me afague
Docemente.

Que ele lhe toque
E lhe deságüe

Não impeça esse beijo!
Apenas, deixe!
Permita-se!
Que ele traga no arco ligeiro
Partículas de Saudade
Gotículas de Você

Deixe, então...
Ele tocar, beijar-lhe!
Vestir seu perfume sândalo-jasmim!
E envolver-se em seus largos braços Querubim!

Deixe...
Que no seu vôo ligeiro.
O vento leve baluante
Veleje campinas e campestres
Norte, Sul, Leste, Oeste!
Trazendo Você
Com um beijo em minha face!

Ó vento...
Com seu passo ligeiro, cintilante!
Vem sem demora
Beije meu semblante
Dispa-me, e leve todo meu perfume.
Todas minhas partículas,
E veleje, no vôo leve, baluante
Por entre montes e avereste.
Esculpindo intacta toda sua veste.

Veleje, veleje, veleje
E assim, deixe.
O vento afagar seu semblante
E com ele trazer para você.
Meu beijo...
Com os aromas das campinas e campestres
Permita então...
Ele abraçar
Com meu suave perfume.

E assim...
Faça desse aroma, sua veste.
Deixe-o ele trazer
Partículas da minha Saudade
Gotículas de todo meu ser.
Quando ela tocar-lhe face a face.

Deixe, deixe, deixe...
Que seu vôo leve, baluante
Veleja campinas e campestres.
Norte, Sul, Leste, Oeste
Trazendo Você
Com um beijo em minha face!

(Fernanda F. Fraga)

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