domingo, 4 de janeiro de 2015

Pura Erudição


Aquelas notas cheiravam a rastro d´água,
Das nuvens aprendi o cirandar das sílabas e a geometria dos dinossauros
Uma Ode à criação artesã dos meus contornos
Meu nau de verdades e mentiras,
que por hora colorem,
se desbotam,
se aquarelam,
A fazer-se brisa,
voo;
árvore,
Impressões da beleza que aos olhos
Se inspiram e imprimem ao hábil ofício do seu gênero.

E bem lá, no lombo da serra
O esguio pé de tamarino imóvel,
Esgalhado sobre as raízes do jatobá,
As aroeiras arredam do chão a palavra
Seu acontecer tem água nua
Rasgões, línguas e desvisões.
Viram margem no dialeto mineiro
Se repartem aos maracujás no arco-íris
E tem a transbordância de calçar-me de terra
Meu habitar tem a geografia de João-de-barro.
        .
Feito espiral o poeta macera o timbre pousado na letra
Uma encantatória orquestra que carrega no refrão, seu firmamento
Desenrola o novelo, desenha entrelinhas ao sabor dos frutos
Segue a ordem natural das palavras,
A lembrarem do Amor,
Da alma que apreende da pétala, o teu letral,
a fragrância da estrofe.

Decerto entre as vielas há um sopro agravado,
Insuflado, uma composição a se afinar
Enquanto a breve clave expande
Ao minúsculo espaço da flauta
A soletrarem quimeras, de pura erudição
O diafragma incendeia o verso na ponta do lápis.
(Fernanda Fraga

2 comentários:

Mikaele Tavares disse...

Fernanda, que poesia linda!
Espero chegar assim perto de ser peota como vc.
Abraços Mika,
Pensamentos Viajantes

Daíse Lima disse...

Oiiii!!!!
Que delícia passar alguns minutos aqui no seu cantinho! Adorei!!! Voltarei sempre!
Beijos!!!