sábado, 29 de dezembro de 2012

Uma pessoa nova...


“A frase que mais se ouve nesta época é o tão propalado "feliz ano novo". Mas, de nada valerá um ano novinho em folha se as atitudes continuam as mesmas. Se os pensamentos estancaram no velho ano, nas mágoas e nos ressentimentos do passado. Os dias poderão ser novos, mas a forma de encarar é a mesma de sempre: o pessimismo, o comodismo, o medo, a insegurança como companhia inseparável. Então, não deseje um ano novo, mas sim uma pessoa nova. De que servirá um 2013 prontinho para ser escrito de uma forma diferente, se você continuar usando a mesma velha caneta, que traça sempre as mesmas linhas, sem ousar, sem arriscar, sem inovar, sem se permitir? Mude os pensamentos, as atitudes, busque realmente ser alguém melhor para si e para o mundo. Do contrário, de nada adiantará um ano novo, se nós mesmos não tivermos coragem de nos renovarmos...” (Aline Mendes)

PS.: Das  promessas que se cumprirão, é as Deus sobre mim.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Sobre o Amor...


Mas o Amor sendo pois completude
te escorreria nos poros, e resplandeceria-te também errante?
Por sob teus tantos medos;
Ou te beberia deles em todos os teus nomes?
E te entregaria à pungente dilatação
Em indagar-se em sê-lo no outro (Amar)ante?!
(Fernanda Fraga)

Imagens: Weheartit 


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

- Um trem marcando o Norte...

Dentro de mim corre um trem marcando o Norte, um trilho taquaral que resplandece e se deita sob o sertão mineiro que sou. Uns versos ali juntos, feito sabiá ornamentando meus nadas, meus  Céus.
A pedir um cadinho de prosa, aquele café com biscoito e uma paz graciosa a tardezinha. Aquele cravo e a canela temperando sua pele enquanto degusto-te. Essa aridez úmida (sol)ar. Esse passeio dos meus olhos nas árvores, seu balanço, e meus despropósitos. Aqueles timbres soltos dos sorrisos no quintal em dia de domingo, as cores e o cheiro das palavras. Vaga-lumes adornam a cozinha, a orla, o bolo de fubá. Das minhas profundidades e abismos, só eu sei...  (Fernanda Fraga)

Imagens: weheartit

domingo, 25 de novembro de 2012

À Poesia...



Antes mesmo que o Sol descortinasse da janela do meu quarto a palência negril dos seus cabelos beijou-me o pescoço e banhou-me nos lábios de sua noite. Um sabor de final da tarde já desenhara alguns traços, num pouso manso no esvaziar da cidade. Vagueio em sua tez não devoluta, bebo dessas cadências, deitada numa rede. Mas ela move-se inteira a colorir cada uma das minhas letras e a me fazer ver músicas nos meus dedos, deixando gosto bom na minha boca. E por recebê-la assim vestida de P o e s i a, dedilho-a debruçada em mim, à espera do vinho à mesa, do drink, do Blues descontraído. Dessas ternuras a compor rimas, a inaugurar prosas, teus gestos; tuas mãos marcando o Jazz. Um roteiro inteiro pra colorir o Céu cinzento com azul cor de Poesia. E por recebê-la inteira, me suscitou um verso, moveu-se infinita, plácida, cantante e o que prediz em mim – a  i n s p i r a ç ã o. Seria caber carinho, seria transbordar em palavras. Havia de ser entre lençóis, brumas, passeio bom pra redescobrir todos seus cantos e os meus, beiras, vãos, risos e poemas. (Fernanda Fraga)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Não seja um expectador...

Nem sempre o escritor, a poetisa, ou amador de poesias ao escrever a punho suas doçuras e rancores aos quatro cantos, é vivente do que diz. Assim como alguns pastores pregam sobre a mística de se viver a castidade antes de. Enquanto que algum deles, não vivem... E eu não tenho nada com isso, cada um tem a consciência pesada ou leve em seu travesseiro. Mas e aí? Aonde eu quero chegar com isso? E aí, que do outro lado quem lê e vê-ouve, capta a outra ação oposta do proferido, do escrito a punho. E o intuito contradiz, se desentrega, perde a integridade. Deixo claro que, aos escritores romancistas, cronistas ou amadores que se inspiram em outras histórias, em fato relatados, eles não fazem parte desse contexto aqui. Pois não vivem o que escrevem ao pé da letra, eles emprestam seus corpos, suas inspirações pra viver outras vidas, outras estórias e histórias. Mas eu digo em relação a nós, sabe? a nós mesmos poetas amadores, ou escritores já conhecidos. Que somos amantes da escrita, seja ela com o seu Graal de redenção ou ruína. Que escrevemos pra nos libertar de algo, pra desabafar, pra colorir arranha-céus cinzentos (os nossos próprios até), pra desejar viver aquilo, pra saciar os sedentos da alma, estagnados nos desertos de si mesmo. Entendem? Anseio tanto que todo aquele que escreve, seja íntegro e forte o suficiente e saiba o peso e a leveza de beber de suas palavras e tentar vivê-las. Não é fácil, sim eu sei. Não é fácil falar, escrever sobre o Amor, alegrias, sobre inteireza se já fomos tantas vezes passados pra trás por algo que achamos ser e na verdade não era. E hoje vivemos em partes, tentando ser inteiros. Isso já é um bom começo. O assunto é complexo e que possamos descomplicar e sermos mais práticos...
E Bem-aventurado seja todo aquele cujo dureza da vida, cuja dor e alegrias de suas palavras não é expectador delas. Vive e extravasa! (Fernanda Fraga, 03 de Outubro de 2012) 

sábado, 10 de novembro de 2012

Resquício...


Faz tão pouco tempo que você partiu,
que eu ainda posso ouvir os teus passos pesados,
caminhando pela casa sem o menor receio de me acordar,
mas agora você já está longe.
Nessa progressão de vozes e palavras esculpidas num poema
Desejando sê-las no entre(laço) das mãos. 
E foi tão rápido e durou tanto tempo dentro de mim,
como agora quando você me lê, entre versos e prosas soltas;
Onde qualquer canto aproxima nossos nomes,
Um beiral de lírios musicando o sopro;
que eu ainda estou tentando entender onde tudo começou,
mas você já me deu um ponto final.
E vi retroceder pétala por pétala aquilo que poderia ser, e não foi.
Era tudo tão bonito,
que eu ainda me pergunto se era realmente Amor o que eu sentia.
Esse veraneio em que te apercebi dentro dos meus horizontes,
E por toda doçura que me enfeitei dentro de ti.
Uma rede de balanço em que nossos olhos minguavam, na margem que ficou,
A diluir esse rio de nós – ainda que seja um renome em Poesia bruta;
Um ontem, não havido, onde você retribuía o carinho,
o toque, o Amor sem querer - de fato estar.
Como onda desancorada que um dia desejou ser.
O mundo acabou e fiquei só,
Remoendo essa lembrança
que já não sei dizer se é saudade ou carência;
tentando inutilmente explicar você pra mim
E com remorsos de não saber me explicar pra você.

(Fernanda Fraga & Wendel Valadares* )


*Wendel Valadares poeta mineiro, lançou recentemente seu primeiro livro de poesias ‘Essência’.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Soneto de um Amor que foi...




Será que sentes falta de minhas cartas
Dos bilhetes e declarações de Amor?
Arrepende-se de ter esnobado o que passou?
Se os abraços dela lhe saciam em ceia farta?

Será? Sou a chuva para molhar a flor!
Ou se seus olhos sequer buscam os meus?
Se sua alma inquieta-se a ver-me, hein Romeu?
Se pensas em ter-me, vem sem desamor!

Será que fiz tudo, se amei mais do que pude?
Se o beijo na face aguça selar os lábios amiúde?
Se a chama do Amor será recíproca um dia?

Será? Talvez! Foram tantas indagações!
Tu já não me olhas, nem em nuances de poesia.
Venha, a pele perde viço, a dor desatina o coração.

(Fernanda Fraga – Montes Claros – MG)

sábado, 3 de novembro de 2012

Transcenda...


Às vezes tudo parece transcender em meios aos rabiscos e é quando não sei dizer muita coisa, mesmo quando o que queira dizer já é dito, explícito em todos os meus parágrafos e entrelinhas. Desanuviar contrastes de um jeito maiúsculo, preenchível, recitencial. É porque cansei de sobrar no final dos pontos - só, sabe? Essa coisa de despedidas, adeuses, romper vínculos. De me ter só para cicatrizar, de ficar pra depois, pra estirar suas fáscias nesse espaço seu inconstante, suas palavras, seus versos em mim. Talvez porque já paira no céu um areado de delicadezas prontas, todas na tentativa querendo ser, se já não está mais, ora foi, um – nós. Plural, singular. E ser poesia que não termina, infinda dentro dos cílios; brotando silêncios, vontades ainda na boca. De um soneto guardado, interminado, que não se coube dentro dele. Mas talvez noutro ponto, não nos falte nada, ou falte. Falta, sucumbi, deseja involuntariamente retorquir algum verbo ressentido, não usual. Aquela busca, vai-te por dentro nas demoras das horas, disrítmicas. Sabendo ser o que é, do sabor não provado, fugidio. E se beber serei eu, a flor entre os seios, te saboreio inteira, deitada na beira de uma saudade.
(Fernanda Fraga)

Imagens Google sem site específico.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

- O melhor que somos...


Moço, penso que nesse contexto nosso, o que não pesa não é o temer, não é o se ferir, isso é inevitável, mas de não se fazer-querer-ser dentro da gente, o melhor que somos no outro.
(Fernanda Fraga)


Imagem do Google sem site específico.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Das Escolhas...


Talvez seja melhor viverem seus conformismos, seus medos e indecisões. Suas rasuras e atrasos, pois não há acréscimo em viver do orgulho de não permitir-se; das frustrações daquele caminho cujo os passos, não tocaram. Não há incerteza maior daquele sabor acre a ficar na pauta de um rascunho que nunca ansiou ser esboçado. Essa amarra que desbota o desaguar bonito das coisas que vem até os lábios e delas voltam. É lamentável  ficar preso pelas escolhas e represar amorosidades desse fluxo findado e entregue nas próprias mãos. Nas batidas dessa Poesia a sacudir essas marés; do pedaço-inteiro que sou, mesmo partida. É angustiante também não se saber o que houve, do telefone mudo, da mensagem pendente, da porta fechada, do horizonte escuro, do sinal travado, da sensação de “expulsão” do beija-flor do jardim. Daquela casa da Poesia, do Amor, da ternura, do que somos nós, mesmo não sendo, além de algum sentimento ou estado de fato. Perdem o tempo, quando na verdade o buscar das coisas e nuances, de certa forma, se revela mesmo é no outro e para nós.
Por que sou daquelas que vivo minhas querências e incertezas também, mas eu arrisco e me inundo de verdades e sentimentos. E creio, que não seja fácil deixar a platéia. Nasci talhada pelo Amor, pelo desejo mútuo de completude, mesmo eu  sendo metade, impermanência. Não aprendi a viver de marés, de estações. Aprendi a colorir minhas coragens e deixar aquela lágrima cair quando tiver de cair, e deixar meus sentimentos bem limpinhos, puros e despidos de qualquer vir-a-ser, para o hoje e não um amanhã. Como sou feita de cheganças me desfaço de armaduras quando a vida me propõe ser franca. Por isso concedi as cartas, abrir as janelas de uma grandiosidade de quem se olha nos olhos e confessa-se ...
E eu mesmo, não perdi nada, pincelei meus arco-íris com os tons concedidos e guardo o que de contemplativo foi e é... Sopram naquela janela colorida por sinal, a mesma brisa, o mesmo Amantes-amados, beijando as águas na maciez que agora lavo minhas mãos.
(Fernanda Fraga)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Paper...

Sob o papel repousado em meu colo, tento fazer do Amor algum esquecimento. A qual coração se deveria envolver com laços de seda - e qual com arame farpado? Observa-se a facilidade em estender as fitas e amarrar suas pontas em belos nós, belos ornatos. Pronto: o elo foi instalado, a ponte estabelecida. A dona beleza passa a fazer visitas constantes. Os lábios se umedecem de viçosas esperanças. Uma mudança. Uma pequena brisa. Uma outra estação dá boas-vindas. Desponta um sol ligeiro, um calor cujos raios levam um toque pro mais fundo, e a tempestade faz bagunça nos esconderijos internos. O leque de possibilidades oferece suas abas ventilando ares sulescos ou meridionais e o coração presidiário, acostumado ao sufoco e grades, mostra que não quer respirar ainda... Deixando-se levar pela tempestade, compra passagem no vento mais forte pra ir-se e não receber o sopro que lhe traria a suavidade almejada. Não suporta o carinho da brisa. Logo se vai bater em outra janela, pedir pão em outra porta. Quando um laço de seda fecha um cofre há que se vigiar pra que leviandade metálica dum outro coração não lhe corte o enfeite com sua tesoura e comprometa seus ricos tesouros. Sabe aquele papel no colo, o laço de seda e os lábios úmidos? Bem, o papel foi maculado por essas palavras tristes. O laço de seda recebeu o desnó. Os lábios - pobres lábios! - ressecaram na aridez do beijo que não veio.

(Fernanda Fraga & Moreno Pessoa)


Imagens: Weheartit

domingo, 23 de setembro de 2012

Teus timbres...

Voava pra ficar perto das Estrelas,
Enquanto o chão refletia
o Céu azul.
Um punhado de refrães
escorriam nos dedos,
Quatro cordas dos teus raios luziam
Extasiado no alto dos teus ombros,
o Sol pendia nos sons dos violinos
Súplica exaltada, lira que se desembrulha no ar.
Sussurras, tuas mãos me sabem os lábios;
adentre em mim nas nuvens - poesias,
Ecoa nos respingos da chuva,
beijando sob teus timbres
os poemas da boca,
Escoa,
Me enamora.

(Fernanda Fraga)

Imagem: Wallcoo

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Do Eterno...

Pois o cair da noite, por si só, nos guarda na memória, 
Vibram na acústica inócua da alma, onde meus onténs somam a ti.
Amei, como nunca havia amado; e é como se a porta abrisse 
E o escuro céu sumisse feito vento manso, afinal,
Quantos não sabem ou veem, o possível habitar dentro do outro? 
Em mim te encontro e me permito a pausa para os arrepios;
Posso sentir o peso dos beijos nos ombros subir até minha nuca,
Como se houvesse um segundo, esquecido pelo tempo, para nós.
Não cogitei a possibilidade da lágrima, esta orla enfeitada nos olhos,
Que deixei repousar em tuas mãos enquanto eu te alcançava. 
Não volte para me roubar, levar o que guardei das nossas histórias,
Ninguém chegou tão perto, sem ser teu peito, a sentir meu coração,
Tão pleno pulsando. Como você encontrou coragem de ir?
O fremir do tempo convoca teus espaços, 
Pois minha saudade não é do seu agora, 
Nem dos gestos anunciando os labirintos propostos,
Mas de um passado tão presente; do seu queixo quadrado;
De suas confissões precipitando a distância
Subverto assim destemida, tão cautelosa.
Urgente.
Uma eternidade para nosso amor.

(Fernanda Fraga & Cáh Morandi)


sábado, 8 de setembro de 2012

Morada...

Eu queria ter uma morada pra abrigar meus sonhos todos, e um coração capaz de afagá-lo.
Para que eu possa na solitude desses dias indagar na música, com uma pausa. Um para-tempo pra você me olhar por dentro. Eu queria mesmo era abraçar num Solar dessas Palavras todas, os reflexos de mim em teus olhos. Aquele pedaço cá dentro reconstruindo, aquele vento que compõe na pauta uma Prece e entreita num espaço, num contra-tempo de nós dois.
(Fernanda Fraga)

Imagens do Google sem site específico.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Frente ao Mar...


Repare que o transitar por acordes das ilhas ondulosas.
Faz-nos ser e versar lembranças no dissolver dos horizontes
Dos traços, das areias; dos olhos a se verem, como sempre se viram - se desejaram;
Desse recusar oceânico, no trafégo lento da solidão nas conchas
E tuas distâncias arpejam caminhantes, enquanto respiras; enquanto molhas os pés
Enquanto o Amor lhe convoque,
Enquanto silentes – avistemos; as ondas,
Pois somos como dois sóis, um do lado de lá;
E ao navegar preescreves,
Feito ele quando sopra; em seus lábios semibreves
Sob o Sol dos teus cabelos,
E a menina salteia inteira; frente ao Mar de si mesma.
(Fernanda Fraga)

sábado, 18 de agosto de 2012

Quando a Alma nos dedilha...

Da varanda aqui de casa o Sol areja os glóbulos e dentro deles pressinto longos silêncios escoando o fluxo. Umidificando os vãos da tua ausência nas beiradas dos olhos. Um Céu inteiro à margem dessas rasuras a compor quaisquer traços, que costurem e desfaçam qualquer medo, que regulem as ampulhetas desse estreito labirinto. Cujo mistério alteia entre o rio e o mar, entre o apressar e o permanecer; entre calendários e esperanças. Onde as vírgulas vez em quando visitam seus olhares, rangem uma espera, nomeiam verbos. Descalça os pés pra vislumbrar o pôr do Sol, num balanço bom e cálido pra demorar mais o ar em mim. E insisti refletir sob suas retinas, junto as minhas um riso; um pouso que alongue na minh´alma portas-janelas e algumas travessias em degradê.
Por isso, perpetue esse clarão, prolongue e alinhave os dias, mas não os soluços. Mova as estrelas e os suspiros, os arabescos rochosos, mas também nebulize o peito nublado. O céu rarefeito; furta cor: de um ser, estar à dois. Durável às brumas e a flor. Nos poros onde a solidão agora conjuga arrepios; emerge chegadas, sucumbi a aurora nas plantas dos pés.
Eriça, comungue a sede e perdure as horas nos pedaços de mim mesma, quando eu já não me encontrar mais. Destelha os alicerces da Saudade, combina com o amanhã um encontro menos esperançoso, uma dor que não aperte tanto, um querer nítido, óbvio capaz de celebrar outros reinos. Capaz de acreditar em nós, mesmo que não sejamos mais. Capaz de recolher as lágrimas e os desabores do beijo não dado, das mãos abertas; da mala feita, do grito.
Capaz de reencontrar noutros sorrisos, noutro tempo, noutra rua e contar que o desafino, o descompasso não era o do encontro das palavras, mas de um desconforto, um receio que não era meu. Porque eu me permitia sair das fábulas, das letras e ir pelas esquinas de mãos dadas contigo o tempo todo se quissesses, enquanto que o rodapé de sua insegurança era sua margem principal. Capaz de libertar sim, mas o desamor, os despropósitos, o faz-de-conta; ou qualquer discurso não-poético, irreal que diminua a nobreza dos sentimentos. Onde aquelas expectativas, o querer-bem fossem pautados por ti como algo inalcançável; custoso, fardo em tuas costas.
Enquanto o brilho solar dança e faz dobrinhas na íris pra ser a contramão dessas sombras e de um adeus que não teve encontro. Um origami equatorial nos olhos floresce, tenta perfumar o peito, num jardim àquela serena flor: despetalar.
E no fundo, desses planos pra trás, dessas passagens compradas; dos versos engavetados. Fica essa ternura que agora vira silêncio, valsado em Jazz. Uma Bossa Nova desfazendo nós, o timbre em lágrima, sob os olhos vira Sol, quando a Alma nos dedilha.

(Fernanda Fraga)

PS.: Imagem do Google sem site específico.





segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pra desmanchar o que ainda te dói...


Por isso quando a respiração ficar rápida demais – atente em inspirar arqueando o tórax.
Pra durar mais o frescor do eucalipto a ser aspergir nos álveolos de sua alma.
Qualquer coisa simples pra mobilizar os suspiros e desmanchar o que ainda te dói.
Pois nesse artesanato de dores, lágrimas e desencontros fica aquele sei lá do quê, de um ar contrito no peito, mas que de alguma forma dava pra ver por destrás das névoas, alguns remos; uma tentavia qualquer no nau dos olhos míopes.
Mas e aí? Requer então, uma demora por todas as míudezas de nós mesmos. E que se revele nas linhas, nos espelhos intercostais em tentar desamar; mesmo quando delas somos avesso e o próprio encontro. Um instante aqui pra costurar um harém dos contos estraçalhados. Porque o Amor é na verdade o olhar pelos subúrbios de si no outro, pra alumiar os assombros de seus próprios breus.

(Fernanda Fraga)

sábado, 28 de julho de 2012

Como era maré; dela se escondia...


Dessas partituras desnudas
Deambulo o entrelaço do Amor-perfeito
Da erva-cidreira, bem-me-quer e Haikai
Desço sobre areias, enquanto as estrelas tateiam com suas pontas, tuas mãos.
O soprar das brisas, me contornas no lápis,
Mas guardei por descuido, esse Querer; longamente
E agora há um vão aberto na alma rabiscado por teu giz-de-cera.
Onde o soberano silêncio escoa o bojo das palavras por entre ventanias, a ser esboçar em mim
Agora sei - esse tom é outro e desconfigura o prumo e toda Poesia.
Estacou sobre a luz a poeira dos olhos,
Parecíamos ter o mesmo caminhar,  
Debruçados aos sussurros de uma Bossa Nova
Do arpejo cinestésico dos meus olhos, das suas Dunas;
Da valsa; das conchas nas águas
Da elegância dos cavalos marinhos;
Das gaivotas a sobrevoarem a fiel e sutil demora dessas pausas;
Do horizonte de uma janela que não temos ou de um porvir
Eram tão-somente via lácteas navegantes,
De um Reino que ele mesmo entrou.
Equalizado e sidério, por vestidos de seda, gravetos e gravatas.
Por versos que correm e trasmutam léguas e des(encontros)
Dos relógios, engomando nuvens
A decompor as horas, os lábios improvisando o riso
E assim, vagaram até a rodovia final,
Enquanto ela repousava serena em seu ombro;
Tentava afagar algum toque, ser presença; soprar algumas plumas de nuvens por ternuras e beijos: pra te alcançar.
Bastou o nado, as braçadas, sendo em vão.
Exausta, seus braços não lhe alcançavam como dantes
Ele estava a deixá-la na próxima parada,
Verberava entre as folhas, os trilhos, enquanto suspirava vestígios;
Sem saber o gosto, sem saber de suas marés – de rebento.
Filha das ausências desfolhava sonhos
Em teu colo segregava um esvoaçar murmuroso
Eflúvios silenciosos concediam alvacentos de suas histórias desencontradas;
Seus suspiros, sua imagem enamorada.
Estrela cujo seu convés purpurava sua noite, mas como era maré; dela se escondia.
Preludia palavras e seus sons saltavam-se; ele já em despedida.
E o Amor quando está recolhido sob sombras, diante dela alumia.
Agora embala suas próprias utópias
Pincela o Céu com seus dedos trêmulos, inalcançáveis.
Nauta seu Reino, com um canto perdido e âncoras soltas
Ele floreado do próprio vento – serpeia quieto seu úmero
A chegar no último sinal vigoroso
Enquanto seu corpo feminil reclinava por um instante ao pastor de suas tardes.
Não sabia, mas o olhar reflexivo dela a faria ser a saudade presente, enquanto era o Amor o tempo todo.
Respirou forte com a fronte deitada ao seu lado;
Ressoou o último rugir do Trem; última onda, pávida revelante.
O moço virou-se, pediu-a para ir e descer, e entregou-lhe junto as suas partituras um papel de letras embaralhadas.
A distância era a desculpa; e suas intermitências e o fazia represar todo o sentimento.
Deixou-a trépida, vestida de aurora a menina foi,
E engoliu à seco todas aquelas linhas, todos os Reinos, toda a Nárnia em Poesia.
Longo silêncio, tropel de tempestades no peito frágil
Quieta, contemplava sedenta seu infinito, onde acreditou ser seu bem-querer em pele, vogais, e reticências tantas.
Parou os trilhos, harpas flamejantes. Desceu ainda olhando pra trás, banhada pelos primeiros
raios daquela manhã, quase desfaleceu.
Enquanto aqueles trilhos já iniciavam a nova viagem, olhou novamente pra janela, a espera somente que do outro lado ele a dissesse que voltasse, que o que foi vivido naquele Reino, de Ilhas; e Montes e cumes Santos, teve um Querer; foi real, foi além das próprias palavras. De suas peles e almas, que se escolheram.
Surpresa prendeu o ar, envolta ao vernal da brisa em seus cabelos.
Apertava contrita o esterno, olhava aquelas linhas, a revelar o avesso do seu sentimento e a dissipar a canção dissonante do moço.
Ouviu, leu, silenciou...
Depois de ter recebido os pincéis das mãos dele, as partituras, stacattos e estrofes inacabadas... Virou trêmula, carregada de notas lirícas foram feitas suas lágrimas.
E devagar, seus pés tocavam um chão desconhecido agora. Não havia palavras mais e nem menos a ser dita, ficou muda; foi um não caber em si.
Seus passos iam lentos em uma estrada sem nome, se endereçava às primeiras Colinas.
Enquanto o Trem seguia, tacteava algumas rochas, ignotas em desventura. Tampou com a mão um dos olhos, o sol já dilatavam as pupilas e seus olhos claros. E foi pausando leve, afinando os tímpanos no crepitar dos trilhos a levarem o moço.
Sentia enquanto subia o Monte, o passar pelos seus pés: as Estrelas, a Ilha que alçava o frescor junto as formas sinestésicas; de todas as suas vastidões. E aquele cheiro de canela, mentol-amadeirado e do gengibre, aguava ainda sua boca. Da sua barba por fazer, seus lábios, e infundiam o além no oceano.
E aquelas sim; as formas geométricas musicais das Minas e das Dunas, do queixo quadrado, eras tu.
Engoliu à seco, todo aquele cais, e lonjuras incontestavéis, recolhidos por ele e todo e qualquer tentativa que se desinsuflassem entre os sibilos daquelas entrelinhas. Assim o Amor errante prefere não se desdobrar mais diante dela. A menina agora ficará por algum tempo em um Monte, chamado Sião. Até que, amorosamente o bem-querer se deslize nos origames de algum papel mâché.

(Fernanda Fraga)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Dedos das Mãos...


Nunca te chamei de Pedro,
Mas poetizei com sílabas doces
A afinação das notas por onde fostes.
Então, orquestrei o medo.

E assim fui...
Regendo teu nome nos dedos das mãos
Contemplei teus olhos, por todos os versos
Gritei! Mas veio Mateus e João!

E assim vou...
Por sobre a chuva, Rafael me leva.
Passeio com ele e contemplamos o sol.
É certa minha vinda, e aqui estou.

Nunca te chamei de Paulo.
Mas decerto teu nome deságua ao vento
E simplificas a sinfonia e a este sentimento

E assim fui...
Dissipando flechas num único olhar
Abracei teu mundo, colhi tuas frutas
Das acácias, veio Bruno e Lucas.

E assim vou...
Com meu navio, Gabriel veleja
Guiando amores nos lençóis de areia
Disse-me: Até breve, pois o anjo voou!

Nunca o chamei: de nome algum
Mas ocultei de certas letras
A este marasmo que o separa e o trás.

E assim, orquestro teu mundo.
                                                       Buscando por tão-somente um sorriso teu.
Afino por entre os dedos
A mais bela nota: Romeu!

(Fernanda Fraga, 18 de Fevereiro de 2004)




quinta-feira, 7 de junho de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Conchas Sonoras...


Debruçou os olhos nos meus
Num arabesco indivísivel de nós dois
De nuvens, horizontes e mais nada
Mas ouvia-se conchas sonoras,
Sentia-se a seda destilhada, do puro orvalho e seus sentidos.
Um nácar, desejoso para ouvir e para ser.
Ouvia-se réstias, estivais alargando as íris;
fervores no peito repercutiam
Eram amanheceres, solares;
Insuflações diafragmáticas.
Um silêncio desbravara todos os meus poros, o mar – Amor.
Principiara –  repousar sob a brisa
E desfolhara a flor.
Por isso, soltei o vergel dos meus beijos nos teus cílios
Para trazer pra perto.
Como quem concede sabores:
- Tua lira em algodão-doce
E se derretiam em nossas bocas.
Por mãos sem improviso;
Por versos a desembrulhar as memórias da minh´alma.
Desdobrara: - O sol de meio-dia;
Hora que não é meia e nem se repartira
E tudo, tudo o que pressinto transborda
Para clarear os olhos, para aconchegar;
Devorar-se-ia, se soubéssemos, de tudo que nos vem em Prece.
Em algum trecho, um papel embrulhado, um aceno
Agora pois...
Deponho-te sob a plácida Estrela
Enquanto a lua desponta o Mar.
Enquanto o que há em mim perdura no clarão dos círios
Enquanto a saudade infinda
Enquanto o manto que nos cobriu é volúvel
Um eco com vãos;
Que o tempo transmuta
Diante de uma cascata poética entre meus braços
Sob tua fuga e o meu caminhar
A sorvir nos lábios, nas dunas
Do Mar e de mim.

(Fernanda Fraga)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

terça-feira, 1 de maio de 2012

À margem sacramental...


Da ventura dúbia findou-se algum pranto
Driblou o oceano dos aléns de ti.
Anéis, diversos, soltos nos embaraços das mãos.
Desmedido o desenho das linhas, dos lábios
Tão macios e adocicados se fizeram compassos
Em próprio deleite - não despedida.

Por destrás das nuvens, no chão, suas cores movem-se a mim.
Projeto-me, na medida, que a distância já se faz contida;
Mas não ao Adeus descrida
Em um breve traço saudo a ti.
Lira-cântaros, arco-íris, desprega ao Céu jardins.                               

Sob o verso que se inclina
Atravesso, ousada aos teus olhos pelo Mar alvedrio
Aplacou-se, a um solitário navio
Onde está o seus rastros?
Por onde andas?
- Nas Brumas, dunas, de Ilhas-espumas de igual mistério
Desdobrado em meus ouvidos, íris-submersas, sede assim – papel embebido
Viração, revolto, tintas e pincéis mar(fins)
Reconduza a iluminária dos Ilhéus e bandolins - apaixonados;  
Pelo fulgor e seus artifícios

Será que deseja-me? – Desejas essa alma hermética?
Esse corpo, essas curvas e suas cadências barrocas?
Pele fina, sedosa; arcabouço esbelto, por ti virginal
Há um grito meu na praia deserta,                    
Nessa nota acústica que cintila meus olhos e a lua.
Branqueia, colore, rodopia; bebe e resseca-me à margem sacramental
É um oásis tão meu – vê-lo assim  A-m-o-r-de-perto; assim longe, longe...
O orvalho resvala, gesta violetas diante de ti.
Tão cedo os lábios se amaram
Vibraram-se n´alma
Que pernoita à espera de ser um dia
Os sonhos seus.

(Fernanda Fraga, Montes Claros- MG, Outubro de 2011)



OBS: Imagens do Google sem site específico.

PS.: Esse poema ou qualquer coisa parecida, há tempos me olhava, mas acabou se perdendo e se encondendo entre os outros, faltando coragem para postá-lo aqui; e hoje lendo tanta coisa, ele novamente veio à tona e resolvi postá-lo é antigo, mas atual.


sábado, 28 de abril de 2012

Coube o seu canto...


O pássaro de longe enamora-a
Acompanha alegre seu caminhar
Segrega nos galhos o sorver de uma prosa
E, em voos rasos, canta um verso infindo
Desejoso em seu rito, oferece àquela menina
E seu espetáculo lhe é trilhado
No crepitar das folhas Salmotizadas
Seu gênese então é entoado.
Ela acompanha risonha a cantoria.
Enquanto as Framboesas caem em suas mãos
Seu ofício já lhe é legitimado.
E coube o seu canto, afastar tempestades
Para ele poder ser sua companhia.

(Fernanda Fraga)

PS.: Imagens do Google.