terça-feira, 1 de maio de 2012

À margem sacramental...


Da ventura dúbia findou-se algum pranto
Driblou o oceano dos aléns de ti.
Anéis, diversos, soltos nos embaraços das mãos.
Desmedido o desenho das linhas, dos lábios
Tão macios e adocicados se fizeram compassos
Em próprio deleite - não despedida.

Por destrás das nuvens, no chão, suas cores movem-se a mim.
Projeto-me, na medida, que a distância já se faz contida;
Mas não ao Adeus descrida
Em um breve traço saudo a ti.
Lira-cântaros, arco-íris, desprega ao Céu jardins.                               

Sob o verso que se inclina
Atravesso, ousada aos teus olhos pelo Mar alvedrio
Aplacou-se, a um solitário navio
Onde está o seus rastros?
Por onde andas?
- Nas Brumas, dunas, de Ilhas-espumas de igual mistério
Desdobrado em meus ouvidos, íris-submersas, sede assim – papel embebido
Viração, revolto, tintas e pincéis mar(fins)
Reconduza a iluminária dos Ilhéus e bandolins - apaixonados;  
Pelo fulgor e seus artifícios

Será que deseja-me? – Desejas essa alma hermética?
Esse corpo, essas curvas e suas cadências barrocas?
Pele fina, sedosa; arcabouço esbelto, por ti virginal
Há um grito meu na praia deserta,                    
Nessa nota acústica que cintila meus olhos e a lua.
Branqueia, colore, rodopia; bebe e resseca-me à margem sacramental
É um oásis tão meu – vê-lo assim  A-m-o-r-de-perto; assim longe, longe...
O orvalho resvala, gesta violetas diante de ti.
Tão cedo os lábios se amaram
Vibraram-se n´alma
Que pernoita à espera de ser um dia
Os sonhos seus.

(Fernanda Fraga, Montes Claros- MG, Outubro de 2011)



OBS: Imagens do Google sem site específico.

PS.: Esse poema ou qualquer coisa parecida, há tempos me olhava, mas acabou se perdendo e se encondendo entre os outros, faltando coragem para postá-lo aqui; e hoje lendo tanta coisa, ele novamente veio à tona e resolvi postá-lo é antigo, mas atual.


7 comentários:

Joakim Antonio disse...

Oi Fernanda,

Aplausos de pé, vejo com uma daquelas poesias que saem depois de tomar conta de todo ser.

Parabéns!

Dayse Sene disse...

M_A_R_A_V_I_L_H_O_S_O!
"Será que deseja-me? – Desejas essa alma hermética?
Esse corpo, essas curvas e suas cadências barrocas?
Pele fina, sedosa; arcabouço esbelto, por ti virginal
Há um grito meu na praia deserta,
Nessa nota acústica que cintila meus olhos e a lua."

Como não apaixonar?
Parabéns Fernanda.
Que cada dia mais,tenha alma inspiradora, para nos encantar.
Abraços.

Dayse Sene disse...

Como estava sem coragem para postar um poema tão encantador assim minha querida?
Ainda bem que postou. E só cheguei até você através de um amigo Joaquim Antônio, que divulgou parte dele no FACEBOOK. Maravilhoso. Comecei a ler e me encantei, acabei de vir ler aqui...me encantei de verdade.
Que Deus te conserve assim.
Abraços.

Poeta da Colina disse...

Fecho os olhos e desejo tudo ao contrário para ver se a realidade me contraria.

Iasmin Cruz disse...

Conheci teu blog hoje e me encantei, a ternura e ao mesmo tempo profundidade de tuas palavras são incríveis. Amo poemas e esse me fez realmente senti todos os sentimentos.

http://iasmincruz.blogspot.com.br/

Luana Barcelos Dantas disse...

Nossa amiga, linda a poesia, você tem um vocabulário invejável, aprendo muito com você...beijos

Talita Prates disse...

Espetacular, Fernanda.
Poema de gente/poeta grande.

Parabéns!

Um beijo,

Talita Prates.