terça-feira, 26 de outubro de 2010

.."Para que no mínimo a sua boca possa sentir o sabor de um Amor em sangue vivo, mas coagulado".

                                                           
          

                                                              ...”De olhares indiscretos
                                                                     O nosso amor
                                                               Quebrou feito objeto
                                                 Digo o que fazer então, são memórias tão reais
                                                              Do que nunca
aconteceu”... (Fotos na Estante/Skank) 





Tão profundo quanto à lágrima que desliza nos meus olhos, quanto a essa linha tênue que revelou todo seu acervo de mentiras e desdéns. Ela, porém, já pressentiu que o seu Querer iria se desfazer naquela noite fria. E como foi desfeito. Fosse talvez o dia mais intermitente. Aquela jovem sentia uma dor tão funda no peito que seu Amor foi coagulando no coração, sim; foi coagulando no coração. Cada fluxo intenso, cada hemácia foi aprisionada em seus átrios.   

Os dias foram passando, sombreados de um azul opaco. A cada tentativa de retomar e questionar o que viveram, ela ouvia e lia lentamente todas as confabulações do Amado-amor, para ela era um pesadelo, um enamorar-se desordenado e para ele nada aconteceu. Porém, seus anseios foram todos desconfigurados como fantasias do outro, dele do amado.

Ela em pouco mais de um ano carregou em si contemplações e expectativas, pois havia uma mutualidade em cada encontro: corpos abraçados, sussurros ao pé do ouvido, beijos macios, gestos de ternura, e imensos desejos diversos como uma suave brisa cálida no ar. Que alastrou em meios as chagas e feridas cortantes em todo seu ser.

No entanto, ela tem bebido altas doses de um vinho seco, com gosto de acre para repugnar aquelas memórias, aqueles teus lábios de desdém que proferiram em alto e bom tom: - “Não. não houve nada entre nós! (Me poupe!)”. Para que no mínimo a sua boca possa sentir o sabor de um Amor em sangue vivo, mas coagulado.

(Por Fernanda F. Fraga).

OBS: Esse meu texto pode ser lido ouvindo junto a essa música do Skank "Fotos na Estante" da letra citada acima. Inspirei esse fato ouvindo ela:

 

12 comentários:

Lia Araújo disse...

Que blog lindo...
adorei mesmo!
Fotos, frases e o nome dele é lindo

Adorei... fico por aqui tb

beijos e obrigada pelo carinho

Renata Fagundes disse...

os sabores e dissabores do amor...

Lindo blog! Parabéns!

beijos cintilantes

Malu disse...

Tá lindo o Blog , Fé !


Bjoooooos ..... :)

Fernanda disse...

Como sempre você arrasa amigaa!
beeeeeeeeijos ;***

Confissões de uma borboleta disse...

Um brinde a morte do amor.
Também já escrevi sobre isso.
Beijos

Solange disse...

não pude evitar... lembrei dos versos do Drummond:
"E as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão."

e dói....
coagula mesmo....


lindo texto.

beijo carinhoso

Anônimo disse...

Venho acompanhando seu blog e de várois outros aí.
Embora eu não seja um escritor (a)como mts, adoro a literatura, e ler sobre as angústias humanas. e é muito encantador o que escreves.
E meu Deus, que texto emocionante, hein? O que me chama atenção em vc doce menina e em seus contos e poesias é sua leveza em transformar a dor, um amor não correspondido e pautá-lo sobre uma superfície tão plena da eternidade e torna-los belos. Te acompanho sempre, já te sigo.

:*

Sil.. disse...

Fe

E o amor tem esses lados tão opostos, mas infinitamente tão ligados: amor e dor.

Beijooooo minha lindaaaaaaaaa!!!

Uni ver sos disse...

UAU, Fê!!! Vc arrasou bonito agora...

Quanta inspiração minha amiga! De onde vem essa verborragia magnífica?!

Mandou super bem, como sempre!

Fique com Deus, querida!

Bjs! Ξ ѕ t є я ☆

Mimo Chic disse...

O amor que nos poem a prova sempre!
Uma alegria conhecer seu espaço , quantos presentes!!!
Esperamos retribuir com o mesmo carinho com o nosso,
bjs
Lulu & Sol

Guilherme disse...

"In vino veritas"

Daniel Savio disse...

Mas amor nunca pode se fiar num simples momento, ele cresce, evolui (e até uns tristes casos, diminue a desaparecer), então nunca pode ser o sabor coagulado...

Fique com Deus, menina Fé Braga.
Um abraço.