sábado, 7 de novembro de 2015

O irremediável


Esse que nos abre,
trespassa suturas,
cortes, pontos, linhas;
um bisturi desenhando-nos
O passo, o caminhar.

Esse inadiável estar e não-estar
Poupar e deixar-se vulnerável 
A irremediável dosagem redentora.

(Fernanda Fraga, novembro de 2015)


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Pétala Solar


O verso escrito,
Tem no risco os teus reinos;
Toda beleza pinçada.

São pássaros distraídos
A tomarem formas
percorrem primaveras
Lugar de aderências
     s u a v e s
       falhas,
      declives,
       vãos;
Um rosto pintado à mão
A despedaçar imperfeito
      ao feito
        que envasa
aos possíveis e silenciosos reflexos
que douram a infinitude.
Longe e incerta
Úmida de nós.

Por isso custa-nos ser
      p r o m e s s a
Custa-nos ser herdeiros do próprio jardim
Espetáculo a aliviar dos enganos
Pétala solar que deambule milagres
Uma dimensão mágica
A se fazer colorida,
hábil de sabores
das esquinas que não nos
e(namoram).

Sob alquimia desses imaginários
O papel desdobra-nos
Aquém de aguçadas singelezas
Carecem de coleções
que celebrem-nos
De aragens dignas aos teus pés.
As letras, elas próprias
Habitam os teus frutos.

(Fernanda Fraga)


*Imagem desconheço autoria.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Dissolver...

"Escrever concede aos poetas talvez o poder de transformar, dissolver os amargos, as revoltas em voos suaves; em pássaros libertos.
Bem-aventurado se todo poeta desenhassem asas em meio as arrogâncias sofridas, ao tapa na cara. Que calçassem nos pés flores, para exorcizar essas possíveis feridas. Ser arco-íris onde se veem cinzas. Para ser ponte, a bendição de sua própria Poesia. 
Que assim seja!". 

(Fernanda Fraga, Minas Gerais, 2 de outubro de 2015)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A Lua em rubra cor



*Dedicada inspiração ao Eclipse da Lua.

Ela com seus olhos de pincéis alvos
Delicadamente me acompanha;
És robusta, tens trajes belos
Que servem de laços
Pra enfeitarem as pontas das Estrelas.

Teus contornos se rendem
às fissuras da Terra e do Sol.
Ela se orna aos meus olhos
Se exibe
toda e inteira
se despe...
             E a Terra gira,
                     gira,
               gira,
                   gira,
                      gira,
            
desliza,
e

r
  o
     m
         p
            e
magistralmente
com rubra cor;
Colorem os teus lábios,
Todo teu corpo é perfumado
Marejo os olhos...
A Lua se cobriu de Amor.

(Fernanda Fraga, Minas Gerais, 27 de Setembro de 2015)           
            

sábado, 12 de setembro de 2015

Sobre desistências...


Deito teu silêncio...
Que é onde sei das muitas margens
E qualquer coisa finita,
Singular – una – plural;
Confere-nos arrebatada percepção
Que corroeu-nos tanto;
Ardem-me essas intensidades todas
Essa tua sutil angulação
O feitio frágil dessas escolhas
Esse ter que buscar-te sempre pela mão
Quantos foram os nossos erros?

Quão diminuto tornou-se?
o arcabouço, rio – raiz,
O lume, a flor;
O olhar, o pássaro,
O oceano nos olhos;
O amor, as asas,
a alforria?

Choca-me tua inevitável partícula
A se desfazer bem-querer
Dos teus reais lugares.

Às vezes resistimos a somar melodias;
Ao tom do outro, a voz anunciada
Relutei: Não, ele não era o meu moço!
Vibrava uma ciranda, ainda que sempre – longe;
Era teu, ele só não sabia disso.

(Fernanda Fraga)


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Resplandece

Deflagram-me os olhos,
todos os outros tecidos
dos teus cílios,
Detalham o poema.

Abrem tuas couraças:
teu ventre
sob minha mão
e mil estrelas cirandam.

O talo de álamo
desdobra esse epicentro,
que te infinita
e me resplandece.

(Fernanda Fraga)

*Imagem desconheço autoria.

domingo, 2 de agosto de 2015

- Pedido!


Não cabe julgarmos o presente, a expressão do corpo. Porque nada sabemos, guarda-se o estado, a textura o que mora dentro. As cores, as cinzas. E por se preencherem de excessos de saberes, não as assimilam. Perdem o novelo da linha, a própria verdade. Não sabem de estrelas, astros, da lógica, da mística da vida; da quântica, da homeopatia das ternuras. Do mágico, do poeta. Nem do manual que florescem todas as sementes: que é a cura de todo mal. Por serem pretensiosos, não sabem das estações, da aridez das fibras, nem da umidade dos olhos. Menos ainda das afinidades do Sagrado em nós. São detalhes que percorrem o céu e terra, norte e sul.
À beira de teses pautam e maldizem como se nosso olhar fosse diminuto, pequeno a Ele. Quais seriam suas filosofias de alcançarem a ótica em desabrigar dores, se a si mesmos não transcendem? São como qualquer peça arrogante a apontarem calos alheios, sem conhecerem nossos passos. Jamais saberão do sublime milagre pousados nas mãos. Tão pouco do vendavais ou levezas que nos habitam.
Com pés no chão suspeito que sensibilidade é a raiz que enfeita, sustenta, perfuma e nos põe para além do tátil, da via, do instrumento. Vai além da abstração.


(Fernanda Fraga, 01 de agosto, 2015, Montes Claros - MG)