domingo, 2 de agosto de 2015
- Pedido!
Não cabe julgarmos o presente, a expressão do corpo. Porque nada sabemos, guarda-se o estado, a textura o que mora dentro. As cores, as cinzas. E por se preencherem de excessos de saberes, não as assimilam. Perdem o novelo da linha, a própria verdade. Não sabem de estrelas, astros, da lógica, da mística da vida; da quântica, da homeopatia das ternuras. Do mágico, do poeta. Nem do manual que florescem todas as sementes: que é a cura de todo mal. Por serem pretensiosos, não sabem das estações, da aridez das fibras, nem da umidade dos olhos. Menos ainda das afinidades do Sagrado em nós. São detalhes que percorrem o céu e terra, norte e sul.
À beira de teses pautam e maldizem como se nosso olhar fosse diminuto, pequeno a Ele. Quais seriam suas filosofias de alcançarem a ótica em desabrigar dores, se a si mesmos não transcendem? São como qualquer peça arrogante a apontarem calos alheios, sem conhecerem nossos passos. Jamais saberão do sublime milagre pousados nas mãos. Tão pouco do vendavais ou levezas que nos habitam.
Com pés no chão suspeito que sensibilidade é a raiz que enfeita, sustenta, perfuma e nos põe para além do tátil, da via, do instrumento. Vai além da abstração.
(Fernanda Fraga, 01 de agosto, 2015, Montes Claros - MG)
segunda-feira, 8 de junho de 2015
A dança da Quadrilha...
Ela esta apaixonada meu caro, não deixe que a escape de tuas mãos como ocorreu em um outro enamoramento aí. E desse outro enamorar, pelo noticiário, ela esta noiva e prestes a subir no altar. E que por insegurança tua, ficastes em cima do muro (dando sinais que a queria), mas não teve atitude de dar o primeiro passo. Sim, ficastes em cima do muro, enquanto isso chegou a menina do cerrado em sua vida, tomastes as mesmas atitudes, nutria as esperanças dessa outra. Arpejava interesses a nós, sem escolher qual das duas seguiria caminho contigo. E por exaustão ela desistiu, justamente por perceber suas linhas colorindo meus espaços. Nesse meio tempo ela encontrou um Sol, esse que segura firme em suas mãos e prestes a levá-la ao altar.
Mas de repente, quando tudo parecia seguir seu curso, chegou uma 'espinheira' feito a estorinha do poema 'Quadrilha' de Drummond. Ela fez um vendável no nosso bem-querer. Menino passava noites a fora trocando meiguices com ela, ao invés de colecionar sorrisos e ternuras com a menina do cerrado, essa que poemava teus voos. E as cores que pudessem ser tela e frescor a tuas asas. Menina do cerrado já cansou, não te quer pra caminhar junto, largou-te. E versa pelas brisas apenas que a essa que se aproxima, que a essa que te sonda, abra-te, tome o passo homem! Existem amores que pousaram em tuas mãos, que poderiam ter sido incríveis.
(Fernanda Fraga, Uberlândia -MG , 1 de junho de 2015)
Imagem: http://tekosemente.blogspot.com.br/2012/07/capa-de-almofada-com-poema-quadrilha.html
Mas de repente, quando tudo parecia seguir seu curso, chegou uma 'espinheira' feito a estorinha do poema 'Quadrilha' de Drummond. Ela fez um vendável no nosso bem-querer. Menino passava noites a fora trocando meiguices com ela, ao invés de colecionar sorrisos e ternuras com a menina do cerrado, essa que poemava teus voos. E as cores que pudessem ser tela e frescor a tuas asas. Menina do cerrado já cansou, não te quer pra caminhar junto, largou-te. E versa pelas brisas apenas que a essa que se aproxima, que a essa que te sonda, abra-te, tome o passo homem! Existem amores que pousaram em tuas mãos, que poderiam ter sido incríveis.
(Fernanda Fraga, Uberlândia -MG , 1 de junho de 2015)
Imagem: http://tekosemente.blogspot.com.br/2012/07/capa-de-almofada-com-poema-quadrilha.html
sábado, 25 de abril de 2015
Morada...
*Inspirado no
poema ‘Para o amor que vai chegar’ de Zack Magiezi.
Meu Amor é esse
vão exposto,
sutura sem fim.
Abrigo a fazer
morada, sem casa.
Essa verdade a
buscar respostas
É o encontro,
sem rua.
A curva
sânscrita dos teus passos
Improviso que
inventei para desenhar-te
Sob as árvores
subscritas
A me acenderem desatentas
E que por falha
vazão;
Desconfigura.
Jardim que não
sabe ser se não semente;
a primeira
pétala:
o inédito de
nós!
Para amar-te na
genética,
Engenharia,
anatomia, braile;
no baile, no
sábado à noite,
Amar-te com
toda exatidão.
A essa leveza
que trouxeste-me nos versos
A nos abrigar as
paisagens,
Pondo-me ao
florescer;
Meu Amor é essa
asa
que não sabe o
pouso.
Porque do ofício
cultivamos
de cirandar, bem
além das cantigas
aspergir cheiro
de flor,
namorar as
palavras;
trazer alma
pra brincar
nos dias em que
o tempo
nos é a própria
demora.
Descanso as
mãos do lado de cá da ternura;
Que é onde vida
nos acontece.
à margem o poema
escorrega macio
ao vislumbre inalcançável
da pele.
Por vezes
soam-me tua voz
as notas do
violoncelo
E anunciam-me o
teu perfume,
por saber-te
meu;
Teu olhar, tuas
mãos, tua boca
Que me rimam os
beijos
Toda minha fragrância
aos teus dias,
porque assim
serei também tua,
A minha morada.
(Fernanda Fraga, 30 de março de 2015,
Montes Claros-MG, 15:42)
***Para quem não conhece segue o poema de Zack do qual me inspirou:
"Meu amor
Ao acordar procuro o teu formato
No lençol amarrotado
Gosto de imaginar que você despertou primeiro
Pois gosta de bater na porta do dia
Para que ele não se atrase
Sinto o cheiro de café na cozinha.
Vejo os primeiros e tímidos raios na janela antiga
Imagino você distraída anotando coisas
Lutando contra uma franja insistente
Eu bebo o café
E digo que você iria ficar linda de cabelo curto
Olívia andando/deslizando
Pisando na barra da calça
Continua querendo ser artista
Pintando as paredes com giz de cera
Cotidiano
Mas antes da rotina a retina
Nosso relógio interior se ajusta
Nossos olhos se encontram
Para nos lembrar do motivo desse dia existir
E os olhos sorriem primeiro
Escorrendo sorriso por toda a casa.
P.S: Dentro de você existe uma cadeira de balanço para a minha velhice?"
Ao acordar procuro o teu formato
No lençol amarrotado
Gosto de imaginar que você despertou primeiro
Pois gosta de bater na porta do dia
Para que ele não se atrase
Sinto o cheiro de café na cozinha.
Vejo os primeiros e tímidos raios na janela antiga
Imagino você distraída anotando coisas
Lutando contra uma franja insistente
Eu bebo o café
E digo que você iria ficar linda de cabelo curto
Olívia andando/deslizando
Pisando na barra da calça
Continua querendo ser artista
Pintando as paredes com giz de cera
Cotidiano
Mas antes da rotina a retina
Nosso relógio interior se ajusta
Nossos olhos se encontram
Para nos lembrar do motivo desse dia existir
E os olhos sorriem primeiro
Escorrendo sorriso por toda a casa.
P.S: Dentro de você existe uma cadeira de balanço para a minha velhice?"
(Zack Magiezi)
*Imagem do Google, não encontrei autoria.
domingo, 4 de janeiro de 2015
Pura Erudição
Foto Daniela Cabizuca
Aquelas notas cheiravam a
rastro d´água,
Das nuvens aprendi o
cirandar das sílabas e a geometria dos dinossauros
Uma Ode à criação artesã dos
meus contornos
Meu nau de verdades e
mentiras,
que por hora colorem,
se desbotam,
se aquarelam,
A fazer-se brisa,
voo;
árvore,
Impressões da beleza que aos
olhos
Se inspiram e imprimem ao
hábil ofício do seu gênero.
E bem lá, no lombo da serra
O esguio pé de tamarino imóvel,
Esgalhado sobre as raízes do
jatobá,
As aroeiras arredam do chão
a palavra
Seu acontecer tem água nua
Rasgões, línguas e desvisões.
Viram margem no dialeto mineiro
Se repartem aos maracujás no
arco-íris
E tem a transbordância de
calçar-me de terra
Meu habitar tem a geografia
de João-de-barro.
.
Feito espiral o poeta macera
o timbre pousado na letra
Uma encantatória orquestra
que carrega no refrão, seu firmamento
Desenrola o novelo, desenha
entrelinhas ao sabor dos frutos
Segue a ordem natural das
palavras,
A lembrarem do Amor,
Da alma que apreende da
pétala, o teu letral,
a fragrância da estrofe.
Decerto entre as vielas há
um sopro agravado,
Insuflado, uma composição a
se afinar
Enquanto a breve clave
expande
Ao minúsculo espaço da
flauta
A soletrarem quimeras, de
pura erudição
O diafragma incendeia o
verso na ponta do lápis.
(Fernanda Fraga)
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Letrado dedicado ao menino que voou...
Aos 7 anos, menina míope com letras miúdas, irregulares;
a escrever uma lição de casa da escola para professora Tia Raquel,
ela escolhia trechos das poesias de Manoel de Barros para desenrolar nosso
letrado.
Eu treinava religiosamente minha grafia, fazia o ditado e transcrevia os
versos do menino azul, do menino que carregava água com a peneira, do menino
que namorava as cores das palavras e ouvia/sentia o perfume do sol. Ele dizia:
“deixei uma ave me amanhecer”, “Aprendera no Circo/há idos/que a palavra tem
que chegar ao grau de brinquedo/Para ser séria de rir”.
E eu pequena perguntava aquela gente maior que a mim:
- Como ele escreve isso?
Como a gente escreve verso tia?
Eu só sei desenhar o sol com o cheiro que ele sente, a senhora sente?
Como é?
Eu indagava em casa, será esse cheiro aveludado da minha blusa,
o silêncio com gosto de jabuticaba que eu sinto quando a tia ler pra
mim?
Será esse barulho que escuto quando a letra encontra com a vogal ‘a’,
junto as abelhinhas daqui do quintal? Como saber?
Aliás, a gente depois de grande sempre soube da tal sensibilidade nos
faz alcançar as proximidades desses voos da infância e silêncios tão juntos aos
dele. Naquela tarde eu transcrevia o primeiro verso do Manoelito, com minhas
mãos pequenas, em um papel de pão, lá da padaria do seu João Vieira: “Os
andarilhos, as crianças e os passarinhos têm o dom de ser poesia”. Posso dizer
que foi aos sete anos com as minhas primeiras letras, a escrever as palavras
dele.
(Fernanda Fraga)
*O coração dele pulsou a
verdadeira imensidão poética até o último segundo, mesmo quieto, mesmo sem
escrever, mesmo sem forças. Hoje é o céu que abraça a sua amplidão olhe-vos!
Contemplem-no em continuidade!! Vai em paz, poeta!!
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Gabriela o beija-flor do cerrado
Quem é que vê
além da linha uma vogal colorida
Com seu sabor
para amaciar os olhos?
Sim, é ela a
chegar dos Montes – Gabriela.
Com sua flor
entre os cabelos era nomeada.
Enriquecida de
vésperas e desvisões
Nos Gerais de
sua saia rodada
Gabriela
deambulava nas labaredas de Minas
A catar fruta
da terra
Da raiz que desfolha a polpa
Costura o
tempo,
Com a sede de
suas folhas
Dedilha na
janela seu indivisível beijo,
Múltiplo,
avulso;
Bebido de mar e
onda,
Sobre a fonte
que recostas as promessas
Às fitas presas
aos fios negros
Apascenta os
alecrins.
E dar-me sempre
divisas de Caatingas e seixos
Contornos aos
cílios,
Que dão-te
delicadeza à pele,
Ao rubro do
pincel que desenha tua boca.
Mas habitas
veemente entre as lascas das Montanhas
A dar-me teu
colo nas pontas das curvas,
E desliza a
amplidão para dar leveza aos meus pés.
Convida-me
vestida de infinito,
Para sentar-me
na grama salpicada de cores e milagres
No assoalho de
um tecido bordado à mão;
E alimenta-me de sóis e dá alegrias aos
passeios.
A fecundar com
pão-de-queijo e mel.
E floresce
moldurada
Para destoar na
voz dos lilases de pássaros
Os versos de um
canto-azul,
Asas em uma
orquídea;
Pertença a
latitudes
Por ter em si o
perfume dos sons;
Textura dos
ladrilhos,
Pétala aérea
sob a casca
Teu nome na
caixa do lápis de cor.
Reconheces que
não há espanto?
Em fazer-te
cenário maiúsculo a esse?
És coberta de
rios
Descoberta para
fitar a palavra do papel
Refazer a casa, o caminho, namorar o amanhecer.
Para endireitar-me para além do apreensível.
Chegas assim,
revelada para a beleza:
Quem é que vê
além da linha uma vogal colorida
Com seu sabor
para amaciar os olhos?
Sim, é ela
Gabriela o
beija-flor do cerrado.
(Fernanda Fraga)
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Um olhar, longo de horas...
Dilato aquela cor úmida
A estrada de abismos,
E nos pés Claves,
aguadas de encantamentos,
Teu corpo no poema
Letral de pedra oculta, sulcada;
Quase já não sei de ti
Que fosse o perfume
A vestirem sobre o teu Sol,
Que fossem as areias temperando nossos
mares,
Que fossem tácitos os dias,
ébrios para endivinarem o fio
Que quase tocam o boca.
Ocupo-me por essas versões inteiras
Encostadas ao cair da tarde
Porque quero haver o fluxo azul
De um sombreado à caminho
Um olhar, longo de horas
Para abastecer líquidas as mãos
Sobre o mapa.
(Fernanda Fraga, Botumirim – MG, Maio de 2009, *um dia
frio e longe, bem longe de casa)
*Imagem do Google, não
encontrado a autoria real da imagem, caso saibam enviam-me para fazer a
creditação.
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