domingo, 27 de fevereiro de 2011

(...) "O doer nos olhos de quem só quis ser o seu agora".

“Nada há pra ser dito agora. Sobrou memória, e o tempo lhe devora. Não há rancor nem mágoa. É só silêncio o que em mim deságua!” (Galldino de “O Teatro Mágico).



Foi só um silêncio corriqueiro que bateu aqui no lado dentro. Sim, foi. Ocupou espaços, invadiu entranhas, se apoderou de mim. Deparei-me com aquele canto, com aquele riso meu que se recolheu assim tão fugaz. Palavras soltas, perdidas, subtraídas no tempo que desaguou em rio fluente, assaz.
É dessa forma tão genuína que eu tento de algum jeito transpor esses desdéns: em rimas soltas no ar. Em manhãs de sóis que foram rompendo os lanços do amor. E desaconteceu. Uma alvura desamarrada entre nós, sendo exposta em pintura desmedida. Por cores que eu quis pintar de um jeito certo. Onde eu quis salvar um pouco da minha alegria, o doer nos olhos de quem só quis ser o seu agora.
Esse dia fora relembrado em instantes. Por fração de segundos. Repetidamente... E doeu tanto. Foram memórias minhas espalhadas em folhas de papéis. Um sentimento meu assim rarefeito. Porém, até hoje ele continua envolto em eternidades, recolhidas nesses versos. E só ressurge em dias saudosos, em estações; como aquele espinho primaveril. Um remanço frondoso que a rejeitou até último glóbulo consumado.
Me vi chegando defronte ao seu grupo. Trêmula, com um coração na boca. Trazendo nas mãos mais uma carta, mais um orvalho solitário; de versos talvez. Lembro-me que cabisbaixa deixei cair uma pequena gota de lágrima, onde o tempo devorou-me, sem ímpeto algum. Sentia em minha boca o gosto daquela pele que meus lábios somente tocaram. Era talvez meu presente mais esperado para ofertar-te. Que minha boca pudesse ter tocado teu íntimo.
Contudo, foi um momento único, onde meus lábios macios tocaram apenas tua face. Mas a minha boca beijou tua alma. Assim eu creria. Peito pra peito, alma pra alma. Porventura para amortecer a dor. De tão dor(mente) essa ardência. Um soprano sopro de encantos, só para enxugar o choro da vida.

(Por Fernanda F. Fraga)

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Porque és tu, o meu Romeu.



Metade Silenciosa da Tua Face


Ó meu amor...
Ó acalento constante
Acalma-me do medo
E beija o meu semblante


Renuncio-te em segredo
E nos sonhos és a lente
Que ofusca seu próprio brilho
Que no cantar está em minha mente


Mas tu és...
O Romeu que eu nunca beijei
Além... e tão real... e tão leve...
Fragrância de amar.


E que na beleza clara de um anjo
Une-nos sem medo.
Num beijo sem pecado e perdoado
Porque és tu o meu amado.


Na minha alma suplicante
Em que tua fúria foi me renegar
E no vento que baila se beijando
E que oscila dos olhos chorando.


Ó amor, por que és tu
Quem me renegas
Se és a metade silenciosa da minha face.


Ó alma turbulenta ...
Carrega-me o coração que és teu
Nos meus lábios que esperas do delicado beijo
Porque és tu, o meu Romeu.


(Por Fernanda F. Fraga)


(Do livro de Poesias “Os Olhos do Coração”, Fernanda F. Fraga, editora Unimontes, Montes Claros - MG, ano 2003, pág. 86-87).


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sábado, 29 de janeiro de 2011

(...) Ser Inteira...

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Saltando por sob cacos de vidro e sentimentos teus. Macios toques a afagar minh´alma.
Em tempo fluido de águas claras, pus-me a rebuscar teus quereres, teus carinhos tão graciosos: pele a pele. Suspiros, arrepios, volúpia. Mas é difícil lidar com o passageiro, porque ela nasceu para o eterno.

E percorrera seus caminhos que exalam um perfume intocável, inausente e tão presente em mim. Ela vai todos os dias ao encontro daquilo que têm pincelado as nuvens do teu céu. Como aquela música que compomos aquele dia... Uma melodia matutina. Orquestrada. Pressentida. Peregrina. De Ópera divina. Por nossos beijos pautados e descompassados de lábios de venturas.

Onde ela suspirava pelas madrugadas a buscar seu alento, de abraços em noites acontecidas. Úmido gosto de beijos preenchidos, em cada canto nosso entreaberto. Sequioso. Eloqüente. Sim. Foste tu que atravessaste todo o oceano, território meu aqui escondido.
E foi alinhavando os contornos do meu corpo, me vestindo e desnudando com tuas vestes. No mesmo compasso que trouxe teu carinho a mim. Porque na verdade ela não queria ser só silêncio, só uma parte. Ela queria ser inteira.

(Por Fernanda F. Fraga)

sábado, 25 de dezembro de 2010

(...)"E se o verso beijar teus lábios agora. Sou eu: procurando-te!


Como Eu Te Queria Inventar

De quando minha pupila dilatava
Tu bordaste em linha musicada
E meus olhos e teus olhos repetindo:
Chegastes como eu te queria inventar.

Mas não era só esse Crepúsculo
Faltavam tuas Fermatas purificadas
Tuas mãos ornando Flores
Teu riso prolongando o esboço da minha boca
Teus beijos afagando o corpo meu.
Teus versos me enamorando
Nas madrugadas das Minas Gerais.

Era um ensejo arqueado de nossos abraços
Enquanto minha alma descansava ali, pele a pele.
Por sob teu perfume com aroma de Eternidade
Da nossa inocência passageira, à espera do que há de vir.
Nossos poros, na pureza de tão grande, Florescia...
Mas se o verso beijar teus lábios agora.
Sou eu: procurando-te!

(Por Fernanda F. Fraga)




domingo, 12 de dezembro de 2010

Amigo Secreto de Natal do Blog de Ester Uni Ver Sos. Pra quem será o presente?!


Amigo secreto do Blog Uni Ver Sos da amiga Ester. É hoje dia 12/12 vamos revelar? Quem será?

 

 Antes gostaria de agradecer a amiga Ester do Blog Uni Ver Sos http://manifesto-interno.blogspot.com/ pelo convite dessa participação, é a primeira vez que participo do amigo secreto virtual. Foi realmente uma iniciativa excelente dela, pois houve uma interação grande, há blogs que eu amei conhecer, tantas preciosidades que eu desconhecia e hoje já sigo vários blogs que ela nos apresentou, principalmente; em se tratando do blog desse amigo secreto. 

Tive que adentrar fundo em seu espaço, afinal não o conheço, e normalmente nesse mundo virtual de blogs a gente se encanta justamente não pela “carcaça”/beleza que a pessoa expõe ser ou querer ser, mas pela essência que ela expressa em cada sentimento lá contido, sim eu acredito nessas coisas, eu acredito em pessoas de essências. E que nós não devemos fugir dela, ou deixá-la escondida. 

A gente se encanta é pela alma, pelo coração do outro. É claro que num blog é muito pouco para descrever o que a pessoa realmente é ou expressa ser em suas vivências no dia – a – dia, mas nos dá uma idéia de como ela encara os sentimentos, suas verdades, seus medos, suas alegrias. Tive de ler postagens anteriores desse meu amigo secreto para tentar encontrar um presente digno a ele, sim é um homem. Um homem carregado de poesias, de arte, letras, emoções, músicas e sentimentos todos. 

Um homem cujo ofício ou vocação veio o de poetar, o de distribuir gratuitamente seus Versos de emoções. Ele é carioca, provavelmente já deve ter tocado os ventos taciturnos e alegorias que Tom Jobim nos deixou, RJ é terra de grandes poetas e músicos da história. Sem mais e nem menos, meu amigo secreto é Elcio do Blog  Verseiro: http://verseiro.blogspot.com/ E para presenteá-lo não me saía da cabeça a música: “O Sonho de uma Flauta de O Teatro Mágico, encontrei o vídeo no You Tube, que inclusive hoje dia 12/12 eles se apresentam aqui em Minas Gerais em BH com a trupe toda e eu estou aqui quase tendo um “filho” por não ter conseguindo ir prestigiá-los. Segue também o link do site oficial deles para quem não conhece fica a oportunidade de conhecer “O Teatro Mágico: http://oteatromagico.mus.br/wordpress/ . E essa música é composta por eles e será meu presente para Elcio, é uma letra poética do começo ao fim espero que você goste Elcio.   “O Sonho de Uma Flauta” (De O Teatro Mágico):





Caro Elcio, foi um grande presente ter tirado você, agora o tenho entre meus blogs que visitarei sempre, para poder colher o que de mais belo tens em sua essência. Como diz a letra da música:  
“Borboleta parece flor. Que o vento tirou pra dançar. 
Flor parece a gente. Pois somos semnte do que aind virá. 
(...) “Tem riso que parece choro. Tem choro que é por alegria. 
Tem dia que parece noite. E a tristeza parece poeisa” (...)
Feliz Natal e um prospero ano novo!! 


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Abraça-me em lençóis sem despedida. Eu - poesia enamorada!




Eu – Poesia Enamorada
                                           

Ó chuva, me molha
Caí como lágrima
De uma Saudade devaneia!

Se tu me anseias
Mergulho, insíguo em tuas águas
Transfigurada por esse Querer

Vou pincelando
Nos grãos de areia
A lua e os contornos do Sol
Para tua face sempre ver.

Afago-me...
Por sobre um alabastro sólido,
Translúcido em gotas!

E se tu me abrigas
Me plenifico em tua morada.
Ó chuva me lave, me molha.

Abraça-me em lençóis sem despedida.
Eu – poesia enamorada!



(Por Fernanda F. Fraga)


 

domingo, 28 de novembro de 2010

Partituras suas beijando nuvens coloridas e centelhas minhas soltas aí em seu peito.


“Minha alma é uma orquestra oculta; não sei em que instrumentos tange e range, (...) dentro de mim. Só me conheço como sinfonia” (Fernando Pessoa).

 

Pedaços de cristais soltavam pelas labaredas. Fluida música orvalhada. Lá, bem lá no meu céu dos jardins aqui exaltados. Montanhas, arbustos e toda uma sinfonia de notas, de partituras imaginárias. Eram águas de um oceano inavegável. Fascinante. Turbulento. Sons, notas de ventura e contentamento. Viam finas gotas de chuva para receber com frescor aquela tarde de Sonatinas. Uma silente completude de flor pura.

Ela ficava marcando aqueles compassos com seus trejeitos, com sua delicadeza, com o corpo todo. Ouvia sons musicais, harpas, cordas vibrantes, sons de violinos. Eles arpejavam e sussurravam colcheias, semicolcheias ao pé do seu ouvido.

Uma orquestra que visitava seus sentidos, seus afetos, seus poros, suas hemácias. Talvez fosse o canto de anjos, cânticos de pureza. E cada detalhe de sua alma era preenchido por essas partituras. Saltitavam em seus tímpanos uma verdadeira sinfonia de fluxos, lágrimas e nostalgias. 

Era uma fenda que o Alto se abria para compor aqueles dias tristonhos que ela parecera está. O Alto se encarregava, os anjos encarregavam de nutri-la, de regê-la com suas pequenas mãos, eram uma redoma que se fazia ali, em cada encontro, naquela Peça musical que era ouvida por ela. 

Foi um trunfo, nunca antes experimentado. Em poucos instantes sua alma era persuadida por um minúsculo espaço seu aqui incinerando o peito. Agudeza de sons. Uma fenda aberta que se propagava naquelas gotas minhas ali impregnadas de claves, bemóis, sustenidos. Partituras suas beijando nuvens coloridas e centelhas minhas soltas aí em seu peito. 

(Por Fernanda F. Fraga)  

  OBS:  Desculpem minha ausência quase um mês sem postar nada aqui, estava seca de palavras, de inspiração. E confesso que o texto sem eu perceber foi inspirado em sons de violino, pois fiquei e estou há uma semana ouvindo nitidamente sons de vários de violinos, violoncelos ao pé do ouvido mesmo. Não é a todo tempo, são sons que ficam cerca de segundos e passa, em relance. Como diz uma amiga minha esses dias no celular:  "pode mandar te internar", kkkkkk... Mas em contrapartida outra amiga me disse: "seu caso não é de enternar não  Fé, é  só Amor". Prefiro essa opção, kkkkk... Ouçam e vejam o link de uma música de Coldplay que amo: Viva La Vida http://www.youtube.com/watch?v=UTU1csGJ4lI