quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sabia ser...

Tinha nos rastros
A métrica de ser além,
Olhar os detalhes, timbrar dobraduras,
Pintar cores e com elas nos dedos,
Tentava salvar a si,
Plexo Solar decorava medidas.
Viva, se despertencia do peso,
Se distraía das opressões,
Mascarava desilusões,
Tinha no abraço
A extensão do seu abrigo,
Desabrigava lonjuras,
Morava dentro do verso
Satélite de cenários encantados,
Sabedor de suas letras, vogal maior
Era amada, enquanto apenas versava
Enquanto o outro habitava dentro da rima
Paragrafo,
Pausa – aberta
Sabia ser.
Era qualquer coisa que fosse além,
Que fosse Amor.
(Fernanda Fraga)

domingo, 7 de julho de 2013

Flautas de bambu...

Aqui onde a curva de Minas sobe um pouco mais,
o Céu também ganha outros estandartes,
peça de quatro mãos.
Dali o Sol em degradê se esconde,
e é agasalhado pelo polvilho que verbera tal qual algodão doce
a deslizar em teus lábios e tua língua.
O vento faz cirandar os galhos das árvores,
que até cantam entre as frestas das folhas,
por serem flautas de bambu namorando os ouvidos teus.
Mas o Céu, ah o Céu, com suas nuvens nubladas,
também beijam aquarelas
com os pincéis dos teus olhos.

(Fernanda Fraga)

Em um dia nublado em Montes Claros – MG 04/07/2013.

*Imagem do Google, site específico da imagem não encontrado.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ressonância...

Olhando assim, preso emocionado olhos,
Já que não nos cabe nas mãos, incitar as águas
E todas as válvulas, artérias
e subclávias do Amor.
A todo esse fluxo à beira do Mar de tão - finito.
Porque desmisturamos o simplório.
Soubera eu da facilidade palpável do seu imediato.
Minha ressonância vibrante,
meu ventrículo esquerdo,
pulsátil - visceral.
E veio,
viu,
mas não me olhou...
Passastes junto, suspirou,
mas não quis me apreender.
Tão na pele,
descomprimia a falta,
os óstios – meu bem-querer.
detalhe a perfumar meus trilhos,
Minhas vértebras, raízes desalinhadas,
passa-te devagar.
Olhando assim, bem aqui no cume mais alto
Vejo mirantes do Sol te desenharem
Tuas dimensões deambulam sob meus cílios
Cumprem teu florescer em mim
Meu atlas, tua nota maior,
sentido meu.
Afagos e coleções de memórias me namoram
bem à nossa margem, oceânica.

(Fernanda Fraga)
*Imagem do Google, site específico da imagem não encontrado.

domingo, 23 de junho de 2013

Sua mão na minha...

 
Para a amiga e poetisa Priscila Rôde*

Distraia as mãos com o lápis de cor, enquanto os pensamentos repousavam entre uma prosa e outra, entre aquela apreensão que sobressaía e destoava conclusões de ser apenas alguém para se conversar. O coração saltitava em mil sustenidos, cada vez que, ouvimos a voz do outro lado. Longas ligações, capítulos inacabados. Aquele Amor visitando cuidadosamente à mercê do próximo olhar-sorriso. Um reino que suaviza o relógio, o compasso dos pés; e rendem-nos numa oração a cada primeiro, segundo e último minuto. Uma composição de horas feitas por afetos, a perfumar nossos olhos e beijar as mãos pra despertar que - somos o encontro. Um mover-se de lábios e vozes sombreadas sobre teus ombros e meu corpo ermo.
Seria o verso, o barco para anunciar quais destinos remaríamos? Ou por qual razão, forma, içadas as cortinas para reverenciar essas brisas; e toda saudade a tocar nossas peles? Quiçá aquela distância quando desapressada, desfera a ordem para nos multiplicar no peito!?
E então quando a verdade for nua das aflições, e o coração enamorado de esperas, que as decisões venham a ser o melhor passo, ainda que haja tantos avessos, outros desvios. Sombras impedindo Luz, tristezas incinerando aquilo que só nos dói. Abrigo você que colore o Céu de estrelas, dá asas ao que ainda nos sobra; pra preencher de nobrezas, pauta única e inadiável.
Vieram algumas trombetas, uma voz-leão moldando quatro cordas e um violino, singelas exatidões; toca-me, reescreves - eterniza. Alonga aquela vírgula e todas reticências possíveis para eu durar um pouco mais em ti.
E desse Ceú, caem pequenos chuviscos. Serve-se ele desta chuva e aquela leitura rebuscando o relógio. Olhos perenes, dias e tardes a se desfazerem. Entre aquarelas e pincéis expostos, as bailarinas refazem com gestos a palavra-poema, habitam na dança seu arcabouço solar. E eu inexata, bebo uma concha do vento, sacio a sede e você reproduz dentro daquele eco; uma ponte hasteada entre aquela nota dissonante e o sufrágio onde aplaino algumas rimas. Tateio essa floração, despida de mim e mim.
E sem temer qualquer desabor da Alma, torno-me vocabulário – jardim exposto; convite pro café das cinco. Porque antes que o grão da semente, a flor já se serve do seu perfume pra se revelar. Se despertencem dos seus itinerários para poder habitar no além dos próprios nomes. Ser a própria casa semeando algum verbo, o encontro um do outro. Aquele anseio delicado de estar a sua margem e em mim, folha por folha, olhos, pele e poros. Contramão e ao mesmo tempo o próprio infinito conhecedor das distâncias e de nós.
Eis o enamorar-se, o gênero e essa orquestra. Esse fruto, Cântico que amanhece e se visitam na mesma prosa, lírica derramada em firmamento. Aquele atalho capaz de avivar o que o peito trás de sensível ao que é pleno, ou a essa ternura em que te olho e tento bordar alguns sinais e contornos por querer segurar orando: sua mão na minha.
Mas é preciso elucidar o que tange, o que tinge a tela, ou em que ponto, em que parágrafo, em quais vírgulas, onde há algo a mais - a mais que estar do lado. Bem mais que além dele. Percebível. Que vivencia, proclama e reconhece.  (Fernanda Fraga)

*Priscila Rôde, poetisa, autora do blog Mar Íntimo, e do seu primeiro livro Para que Fiques, lançado em 2012, pela Editora Penalux

*Imagem do Google, site específico da imagem não encontrado.

domingo, 9 de junho de 2013

Desenhos e Ternuras...

E de todos esses suspiros,
hasteados – desmedidos.
Que se arrebate ao teu desenho,
na curva da tua boca;
alguma fresta a refazer cada detalhe nosso.
Uma arquitetura esboçada quando namoro teus próprios traços,
e visto na pele tua inspiração.
Bem assim, como um lembrar-de-alma;
Alonga-se o peito meu, repousa-me na ternura tua...

(Fernanda Fraga)


*Imagens do Google sem site específico.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Porto de nós...

Como não sentir-se Mar, despertencido e ao mesmo tempo
manto d´água, pronto pra desaguar?
Como não sangrar? Como não ver-se fragmentado
nesse mesmo calendário que condena,
que nos limita, e nos põe sempre inteiros um do outro?
Que dispensa a forma, a querência,
as extensões noturnas, lençóis e a própria travessia?
Aquele olhar se desviando, mas que ainda ver-se
nas íris dos reflexos alheios?
Como caminhar de mãos abertas, se com elas
querendo ou não, os lábios da Poesia sempre nos unem?
Meus dias ardem, mas não me amarguram,
Meu verbo se desfaz, enquanto anuncio, enquanto fomos.
Te apercebo abrigado em alguma história incompleta
Eu era apenas um abraço a querer morar contigo,
Sozinha – sou porto de nós.
Um verso assim sem nome, em dias azuis,
Entre aquele beijo silenciado,
Omitido em uma estrofe qualquer.
                                                  
(Fernanda Fraga, 09/05/2013)

*Imagem do Google, site específico da imagem não encontrado

sábado, 4 de maio de 2013

Das Amizades...


Amizade é o Amor mais puro. Dispensa qualquer adorno, vive nas soltura do respeito. Mora na gratidão dos olhares, na saudade que cerca, mas que não nos limita. Alça suas asas nas singelezas do seu lado mais terno. É talvez nesse ombro, onde Deus se revela através dele seu maior desvelo, enquanto o outro nos acolhe, Ele, também nos carrega forte pela outra mão, ambos - lado a lado. Bagunça nossos cabelos, feito criança a brincar no parque enquanto solta-se pipas naquele céu tão azul, a verter toda paz que se almeja. Amizade derramada pela doçura do alto é Prece, lembrança de ouvidos amorosos, coração tranquilo, tardes de peraltagens e sombra boa. Todos rentes, nas curvas a contemplar reflexos dos seus sorrisos nas poçinhas d´água. Mas quando se trata de inteirezas, honestidades e o outro calça sandálias contrárias à luz do seu caminhar. Nenhum amigo deve negligenciar, advogar e sabotar de braços dados com ele; essa desconfiguração humana, perigosa e adoecível. Que é fazer perpetuar lástimas, conversas distorcidas, só pra amassar o outro, dando glórias e razões ao que está fora do nosso livro-vida. E míngua tantas delicadezas. É por tudo isso que misturamos o enredo, vamos sempre na contramão e não permitimos que o outro resigne sua alma.
Do que mais nos foi dito, em frescor ou furor, deve-se ouvir-ver-refletir sempre os dois lados da moeda. Não é edificante o amigo 'passar a mão' na cabeça e concordar com a postura do outro. Ainda que o próprio amigo esteja errado, ainda que ele seja o réu de suas próprias ações. Ainda que pesado seja ouvir, que sua própria absolvição é endireitar-se, tornar-se Luz. Eu continuo crendo que é bem mais sereno, justo e fiel compactuar amizades assim.
Amigo serve pra abrir as cortinas de dentro e mostrar possibilidades, apontar raios de sol do outro, com caminhos de correção, de crescimento; de amorosidades, de perdão. A fazer converter qualquer resquício de ranço, preso e mofado. 
Meu Deus, faça-nos ser cada vez mais peças raras, e incrivelmente agregadoras de valores e capazes de imprimir apesar de todas as limitações humanas, nossos melhores movimentos. O melhor que podemos oferecer, sem máscaras, sem adornos. Diante das pessoas que só sabem minguar Preces, amores e amigos. Que só sabem transformar conversas em contendas  e confinar bonanças. Só para terem argumentos e arvorar suas conquistas. Acompanho silente esses adereços e toda coragem de quem se entrega e sai dos seus próprios calvários. Das verdades e circunstâncias do outro só ele é consciente, imperfeito ou não, somos todos aprendizes da Vida.
(Fernanda Fraga)

*Imagem do Google, site específico não encontrado.