sábado, 20 de abril de 2013

Ainda que...


Pra ouvir: Like a Rose – Maria Gadú.
Sedes na ventura outonada,
a ternura fiel das folhas e dos frutos.
Ainda que se morra.
Ainda que se renasça em outras memórias
Sedes a tua própria matéria refletida
no encontro do outro,
quando ele também é tua morada.
Teu perfume perdurando no segundo
Em que se olha,
Se toca,
e se é.

(Fernanda Fraga)

*Pequeno fragmento inspirado novamente com a poesia da poeta Roberta Tostes Daniel Duração

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dos abraços...


Nenhum abraço traduz esse espaço que se abre entre nós. (Fernanda Fraga)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Lilases de Abril...

Uma bruma desenha no céu... E é com bordas limítrofes e um verso acessório. Reinventas meus nasceres. E despeja e reparte e encanta. Até que se brote na entrega florescente – a florescência liquefeita, nos arrebóis enluarados. Enquanto quase sou, alongam-se as horas, os lençóis, centenas deles; a repartir a imensidão do cacto, a proeza avivada da flor: o improvável broto. Estendem-se as cortinas, já é Abril.   (Fernanda Fraga)


“Abril é o mais cruel dos meses, germina lilases da terra morta, mistura memória e desejo, aviva agônicas raízes com a chuva da primavera”.  (T.S. Eliot)

*Inspirado nas paráfrases com a poeta Roberta Tostes Daniel, autora do blog - Sede Frente ao Mar.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Traço Delicado...



Que as estrelas brilhem cada vez mais nítidas, e se leves te escrevam fluidas, e com traço delicado delineie através das minhas mãos teu próprio retrato; um filme a tornar-se canto, um acorde virando Poesia. (Fernanda Fraga)


terça-feira, 26 de março de 2013

Dos Frutos...


A paixão é um fruto degustado às pressas. (Fernanda Fraga, 23/03/2013)



PS.: De um comentário meu no blog de Milena Cristina.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Tudo que desejou ser...


Pra ouvir: Paperweight – Tema do filme Querido John.


Ela teceu nos outonos uma história bonita. Suas letras vieram fazer morada nas areias. Janelas abertas; pontes estreitas...O brilho do Sol ia se pondo e coloria o alaranjado das paredes do peito. Tinha como legado pincelar as desordens da Vida. Retirava com suas mãos pequeninas a delicadeza que lhe cabia para espalhar carinhos e tocá-los. Sua história era a promessa que jamais seria cumprida, mas precisava aprender com as águas do Mar a cumprir seu destino. O firmamento era artefato, a Lua sua platéia. As dunas subvertiam o intimismo poetando as noites. O vento, fruto feminino desembrulhando a seda, a pele, o esvoaçar dos cabelos. Ela moldava seu Amor nas linhas macias da voz dos seus versos, origamis nas asas do infinito. Destemida transbordava com aqueles encontros, meramente poéticos. Desarmava toda sua alma, era inteira verdade, era à flor da pele. Plena - ave esvoaçante nas palavras, pretérito perfeito, película que o verbo traçou em dia de céu azul, pra versar com ele o Amor.
A rima que nunca deixou de dedilhar no piano, nas linhas das próprias canções era a sua própria alegria. Queria contar histórias desavisadas, à margem da orla pra despir suas tangências. Mas ele semeava um amor sem querer prová-lo, metamorfoseava silêncios e sumiços. 
E com traços delicados e seu cabelo trançado sonhou... Menina ainda sonhou. E trouxe o sonho um moço.
Moço de rosto anguloso, cabelos curtos e de palavras bonitas. O vento bagunçou seus cabelos e desfez a sua trança, aqueles fios soltos confundiram seus olhos e já não sabia mais se aquilo ainda era Amor.O tempo passou...E foi o tempo, com suas mãos delicadas que afastou os fios dos seus cabelos.
Enxergou além, tinha um oceano inteiro entre eles. No mar do moço navegavam muitas outras, cada uma com seus próprios sonhos ... E ele, jardineiro do mar, regava flores, colhia pétalas e só por capricho ia enfeitando seu jardim ... Sem saber que arrancar as pétalas das moças doíam suas flores.
Ele travava uma luta interna entre o querer e o ser. E assim, não era nada além do sonho de todas.
Em alguns dias amanhecia curada, mas como numa febre terçã aquele rosto ainda lhe visitava.
E caprichosamente ele vinha e mantinha o seu amor...
O Amor demorava a amadurecer, mas ela tinha urgência em amar e o seu único remédio era mesmo o tempo. E foi o tempo costurado letra a letra, poesia de minutos que fez dos seus instantes, algo mais leve para suportar a falta que lhe fazia de amar. Mesmo sabendo nadar, ela, menina das tranças desfeitas, quase afogou. Quase afogou nas vezes que seus olhos se perdiam dos dele, todas às vezes que no instante das pálpebras fechadas, ela se perdia das lembranças doces. Mas caprichoso como era a tinha em qualquer instante. Como um bibelô de louça, enfeitando a prateleira, que vez em quando é trocado de lugar.
Era duro amar a distância quando o que mais queria era estar ao lado... Era a vontade de gritar bem baixinho: T e a m o. E dizer aquilo que mais queria - Ele.
Desembrulhou alguns papéis, alguns em pedaços e outros cheios de escritos naquela mesma estante. Foi quando na verdade o caminho se abriu. E ele, do queixo anguloso, não lhe pode ter, mas mais adiante foi o poema em que as estrelas revelaram pra que ele lhe pudesse ler. Fez-se um sopro, uma brisa entrecortando à tarde, sua alma como nuvem macia e o seu Amor poetado sorriu, por ainda assim ter sido tudo que desejou ser. (Fernanda Fraga & Vanessa Cony )

quinta-feira, 14 de março de 2013

Um amanhecer colorido...

Um amanhecer colorido cada vez que teus cílios pincelam em minhas nuvens e repara quieta as minhas pálpebras. Elas deslizam, tombam nas pontinhas dos teus cabelos. E refletem nas gotas da chuva, todo gosto bom de bem querer. Um pincelar de afetos, senão primeiro o encanto; senão primeiro o sorriso arrancado. Amanhecemos pautados por folhas ao vento. Deitamos na orla, somos pássaros sobrevoando o céu.
                                              (Fernanda Fraga)

Pra ouvir: RainyMood

De uma conversa com Raquel Amarante, autora do blog ‘Varal das Peças Íntimas’, http://www.raquelamarante.blogspot.com.br/