sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Frente ao Mar...


Repare que o transitar por acordes das ilhas ondulosas.
Faz-nos ser e versar lembranças no dissolver dos horizontes
Dos traços, das areias; dos olhos a se verem, como sempre se viram - se desejaram;
Desse recusar oceânico, no trafégo lento da solidão nas conchas
E tuas distâncias arpejam caminhantes, enquanto respiras; enquanto molhas os pés
Enquanto o Amor lhe convoque,
Enquanto silentes – avistemos; as ondas,
Pois somos como dois sóis, um do lado de lá;
E ao navegar preescreves,
Feito ele quando sopra; em seus lábios semibreves
Sob o Sol dos teus cabelos,
E a menina salteia inteira; frente ao Mar de si mesma.
(Fernanda Fraga)

sábado, 18 de agosto de 2012

Quando a Alma nos dedilha...

Da varanda aqui de casa o Sol areja os glóbulos e dentro deles pressinto longos silêncios escoando o fluxo. Umidificando os vãos da tua ausência nas beiradas dos olhos. Um Céu inteiro à margem dessas rasuras a compor quaisquer traços, que costurem e desfaçam qualquer medo, que regulem as ampulhetas desse estreito labirinto. Cujo mistério alteia entre o rio e o mar, entre o apressar e o permanecer; entre calendários e esperanças. Onde as vírgulas vez em quando visitam seus olhares, rangem uma espera, nomeiam verbos. Descalça os pés pra vislumbrar o pôr do Sol, num balanço bom e cálido pra demorar mais o ar em mim. E insisti refletir sob suas retinas, junto as minhas um riso; um pouso que alongue na minh´alma portas-janelas e algumas travessias em degradê.
Por isso, perpetue esse clarão, prolongue e alinhave os dias, mas não os soluços. Mova as estrelas e os suspiros, os arabescos rochosos, mas também nebulize o peito nublado. O céu rarefeito; furta cor: de um ser, estar à dois. Durável às brumas e a flor. Nos poros onde a solidão agora conjuga arrepios; emerge chegadas, sucumbi a aurora nas plantas dos pés.
Eriça, comungue a sede e perdure as horas nos pedaços de mim mesma, quando eu já não me encontrar mais. Destelha os alicerces da Saudade, combina com o amanhã um encontro menos esperançoso, uma dor que não aperte tanto, um querer nítido, óbvio capaz de celebrar outros reinos. Capaz de acreditar em nós, mesmo que não sejamos mais. Capaz de recolher as lágrimas e os desabores do beijo não dado, das mãos abertas; da mala feita, do grito.
Capaz de reencontrar noutros sorrisos, noutro tempo, noutra rua e contar que o desafino, o descompasso não era o do encontro das palavras, mas de um desconforto, um receio que não era meu. Porque eu me permitia sair das fábulas, das letras e ir pelas esquinas de mãos dadas contigo o tempo todo se quissesses, enquanto que o rodapé de sua insegurança era sua margem principal. Capaz de libertar sim, mas o desamor, os despropósitos, o faz-de-conta; ou qualquer discurso não-poético, irreal que diminua a nobreza dos sentimentos. Onde aquelas expectativas, o querer-bem fossem pautados por ti como algo inalcançável; custoso, fardo em tuas costas.
Enquanto o brilho solar dança e faz dobrinhas na íris pra ser a contramão dessas sombras e de um adeus que não teve encontro. Um origami equatorial nos olhos floresce, tenta perfumar o peito, num jardim àquela serena flor: despetalar.
E no fundo, desses planos pra trás, dessas passagens compradas; dos versos engavetados. Fica essa ternura que agora vira silêncio, valsado em Jazz. Uma Bossa Nova desfazendo nós, o timbre em lágrima, sob os olhos vira Sol, quando a Alma nos dedilha.

(Fernanda Fraga)

PS.: Imagem do Google sem site específico.





segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pra desmanchar o que ainda te dói...


Por isso quando a respiração ficar rápida demais – atente em inspirar arqueando o tórax.
Pra durar mais o frescor do eucalipto a ser aspergir nos álveolos de sua alma.
Qualquer coisa simples pra mobilizar os suspiros e desmanchar o que ainda te dói.
Pois nesse artesanato de dores, lágrimas e desencontros fica aquele sei lá do quê, de um ar contrito no peito, mas que de alguma forma dava pra ver por destrás das névoas, alguns remos; uma tentavia qualquer no nau dos olhos míopes.
Mas e aí? Requer então, uma demora por todas as míudezas de nós mesmos. E que se revele nas linhas, nos espelhos intercostais em tentar desamar; mesmo quando delas somos avesso e o próprio encontro. Um instante aqui pra costurar um harém dos contos estraçalhados. Porque o Amor é na verdade o olhar pelos subúrbios de si no outro, pra alumiar os assombros de seus próprios breus.

(Fernanda Fraga)

sábado, 28 de julho de 2012

Como era maré; dela se escondia...


Dessas partituras desnudas
Deambulo o entrelaço do Amor-perfeito
Da erva-cidreira, bem-me-quer e Haikai
Desço sobre areias, enquanto as estrelas tateiam com suas pontas, tuas mãos.
O soprar das brisas, me contornas no lápis,
Mas guardei por descuido, esse Querer; longamente
E agora há um vão aberto na alma rabiscado por teu giz-de-cera.
Onde o soberano silêncio escoa o bojo das palavras por entre ventanias, a ser esboçar em mim
Agora sei - esse tom é outro e desconfigura o prumo e toda Poesia.
Estacou sobre a luz a poeira dos olhos,
Parecíamos ter o mesmo caminhar,  
Debruçados aos sussurros de uma Bossa Nova
Do arpejo cinestésico dos meus olhos, das suas Dunas;
Da valsa; das conchas nas águas
Da elegância dos cavalos marinhos;
Das gaivotas a sobrevoarem a fiel e sutil demora dessas pausas;
Do horizonte de uma janela que não temos ou de um porvir
Eram tão-somente via lácteas navegantes,
De um Reino que ele mesmo entrou.
Equalizado e sidério, por vestidos de seda, gravetos e gravatas.
Por versos que correm e trasmutam léguas e des(encontros)
Dos relógios, engomando nuvens
A decompor as horas, os lábios improvisando o riso
E assim, vagaram até a rodovia final,
Enquanto ela repousava serena em seu ombro;
Tentava afagar algum toque, ser presença; soprar algumas plumas de nuvens por ternuras e beijos: pra te alcançar.
Bastou o nado, as braçadas, sendo em vão.
Exausta, seus braços não lhe alcançavam como dantes
Ele estava a deixá-la na próxima parada,
Verberava entre as folhas, os trilhos, enquanto suspirava vestígios;
Sem saber o gosto, sem saber de suas marés – de rebento.
Filha das ausências desfolhava sonhos
Em teu colo segregava um esvoaçar murmuroso
Eflúvios silenciosos concediam alvacentos de suas histórias desencontradas;
Seus suspiros, sua imagem enamorada.
Estrela cujo seu convés purpurava sua noite, mas como era maré; dela se escondia.
Preludia palavras e seus sons saltavam-se; ele já em despedida.
E o Amor quando está recolhido sob sombras, diante dela alumia.
Agora embala suas próprias utópias
Pincela o Céu com seus dedos trêmulos, inalcançáveis.
Nauta seu Reino, com um canto perdido e âncoras soltas
Ele floreado do próprio vento – serpeia quieto seu úmero
A chegar no último sinal vigoroso
Enquanto seu corpo feminil reclinava por um instante ao pastor de suas tardes.
Não sabia, mas o olhar reflexivo dela a faria ser a saudade presente, enquanto era o Amor o tempo todo.
Respirou forte com a fronte deitada ao seu lado;
Ressoou o último rugir do Trem; última onda, pávida revelante.
O moço virou-se, pediu-a para ir e descer, e entregou-lhe junto as suas partituras um papel de letras embaralhadas.
A distância era a desculpa; e suas intermitências e o fazia represar todo o sentimento.
Deixou-a trépida, vestida de aurora a menina foi,
E engoliu à seco todas aquelas linhas, todos os Reinos, toda a Nárnia em Poesia.
Longo silêncio, tropel de tempestades no peito frágil
Quieta, contemplava sedenta seu infinito, onde acreditou ser seu bem-querer em pele, vogais, e reticências tantas.
Parou os trilhos, harpas flamejantes. Desceu ainda olhando pra trás, banhada pelos primeiros
raios daquela manhã, quase desfaleceu.
Enquanto aqueles trilhos já iniciavam a nova viagem, olhou novamente pra janela, a espera somente que do outro lado ele a dissesse que voltasse, que o que foi vivido naquele Reino, de Ilhas; e Montes e cumes Santos, teve um Querer; foi real, foi além das próprias palavras. De suas peles e almas, que se escolheram.
Surpresa prendeu o ar, envolta ao vernal da brisa em seus cabelos.
Apertava contrita o esterno, olhava aquelas linhas, a revelar o avesso do seu sentimento e a dissipar a canção dissonante do moço.
Ouviu, leu, silenciou...
Depois de ter recebido os pincéis das mãos dele, as partituras, stacattos e estrofes inacabadas... Virou trêmula, carregada de notas lirícas foram feitas suas lágrimas.
E devagar, seus pés tocavam um chão desconhecido agora. Não havia palavras mais e nem menos a ser dita, ficou muda; foi um não caber em si.
Seus passos iam lentos em uma estrada sem nome, se endereçava às primeiras Colinas.
Enquanto o Trem seguia, tacteava algumas rochas, ignotas em desventura. Tampou com a mão um dos olhos, o sol já dilatavam as pupilas e seus olhos claros. E foi pausando leve, afinando os tímpanos no crepitar dos trilhos a levarem o moço.
Sentia enquanto subia o Monte, o passar pelos seus pés: as Estrelas, a Ilha que alçava o frescor junto as formas sinestésicas; de todas as suas vastidões. E aquele cheiro de canela, mentol-amadeirado e do gengibre, aguava ainda sua boca. Da sua barba por fazer, seus lábios, e infundiam o além no oceano.
E aquelas sim; as formas geométricas musicais das Minas e das Dunas, do queixo quadrado, eras tu.
Engoliu à seco, todo aquele cais, e lonjuras incontestavéis, recolhidos por ele e todo e qualquer tentativa que se desinsuflassem entre os sibilos daquelas entrelinhas. Assim o Amor errante prefere não se desdobrar mais diante dela. A menina agora ficará por algum tempo em um Monte, chamado Sião. Até que, amorosamente o bem-querer se deslize nos origames de algum papel mâché.

(Fernanda Fraga)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Dedos das Mãos...


Nunca te chamei de Pedro,
Mas poetizei com sílabas doces
A afinação das notas por onde fostes.
Então, orquestrei o medo.

E assim fui...
Regendo teu nome nos dedos das mãos
Contemplei teus olhos, por todos os versos
Gritei! Mas veio Mateus e João!

E assim vou...
Por sobre a chuva, Rafael me leva.
Passeio com ele e contemplamos o sol.
É certa minha vinda, e aqui estou.

Nunca te chamei de Paulo.
Mas decerto teu nome deságua ao vento
E simplificas a sinfonia e a este sentimento

E assim fui...
Dissipando flechas num único olhar
Abracei teu mundo, colhi tuas frutas
Das acácias, veio Bruno e Lucas.

E assim vou...
Com meu navio, Gabriel veleja
Guiando amores nos lençóis de areia
Disse-me: Até breve, pois o anjo voou!

Nunca o chamei: de nome algum
Mas ocultei de certas letras
A este marasmo que o separa e o trás.

E assim, orquestro teu mundo.
                                                       Buscando por tão-somente um sorriso teu.
Afino por entre os dedos
A mais bela nota: Romeu!

(Fernanda Fraga, 18 de Fevereiro de 2004)




quinta-feira, 7 de junho de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Conchas Sonoras...


Debruçou os olhos nos meus
Num arabesco indivísivel de nós dois
De nuvens, horizontes e mais nada
Mas ouvia-se conchas sonoras,
Sentia-se a seda destilhada, do puro orvalho e seus sentidos.
Um nácar, desejoso para ouvir e para ser.
Ouvia-se réstias, estivais alargando as íris;
fervores no peito repercutiam
Eram amanheceres, solares;
Insuflações diafragmáticas.
Um silêncio desbravara todos os meus poros, o mar – Amor.
Principiara –  repousar sob a brisa
E desfolhara a flor.
Por isso, soltei o vergel dos meus beijos nos teus cílios
Para trazer pra perto.
Como quem concede sabores:
- Tua lira em algodão-doce
E se derretiam em nossas bocas.
Por mãos sem improviso;
Por versos a desembrulhar as memórias da minh´alma.
Desdobrara: - O sol de meio-dia;
Hora que não é meia e nem se repartira
E tudo, tudo o que pressinto transborda
Para clarear os olhos, para aconchegar;
Devorar-se-ia, se soubéssemos, de tudo que nos vem em Prece.
Em algum trecho, um papel embrulhado, um aceno
Agora pois...
Deponho-te sob a plácida Estrela
Enquanto a lua desponta o Mar.
Enquanto o que há em mim perdura no clarão dos círios
Enquanto a saudade infinda
Enquanto o manto que nos cobriu é volúvel
Um eco com vãos;
Que o tempo transmuta
Diante de uma cascata poética entre meus braços
Sob tua fuga e o meu caminhar
A sorvir nos lábios, nas dunas
Do Mar e de mim.

(Fernanda Fraga)