segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pra desmanchar o que ainda te dói...


Por isso quando a respiração ficar rápida demais – atente em inspirar arqueando o tórax.
Pra durar mais o frescor do eucalipto a ser aspergir nos álveolos de sua alma.
Qualquer coisa simples pra mobilizar os suspiros e desmanchar o que ainda te dói.
Pois nesse artesanato de dores, lágrimas e desencontros fica aquele sei lá do quê, de um ar contrito no peito, mas que de alguma forma dava pra ver por destrás das névoas, alguns remos; uma tentavia qualquer no nau dos olhos míopes.
Mas e aí? Requer então, uma demora por todas as míudezas de nós mesmos. E que se revele nas linhas, nos espelhos intercostais em tentar desamar; mesmo quando delas somos avesso e o próprio encontro. Um instante aqui pra costurar um harém dos contos estraçalhados. Porque o Amor é na verdade o olhar pelos subúrbios de si no outro, pra alumiar os assombros de seus próprios breus.

(Fernanda Fraga)

sábado, 28 de julho de 2012

Como era maré; dela se escondia...


Dessas partituras desnudas
Deambulo o entrelaço do Amor-perfeito
Da erva-cidreira, bem-me-quer e Haikai
Desço sobre areias, enquanto as estrelas tateiam com suas pontas, tuas mãos.
O soprar das brisas, me contornas no lápis,
Mas guardei por descuido, esse Querer; longamente
E agora há um vão aberto na alma rabiscado por teu giz-de-cera.
Onde o soberano silêncio escoa o bojo das palavras por entre ventanias, a ser esboçar em mim
Agora sei - esse tom é outro e desconfigura o prumo e toda Poesia.
Estacou sobre a luz a poeira dos olhos,
Parecíamos ter o mesmo caminhar,  
Debruçados aos sussurros de uma Bossa Nova
Do arpejo cinestésico dos meus olhos, das suas Dunas;
Da valsa; das conchas nas águas
Da elegância dos cavalos marinhos;
Das gaivotas a sobrevoarem a fiel e sutil demora dessas pausas;
Do horizonte de uma janela que não temos ou de um porvir
Eram tão-somente via lácteas navegantes,
De um Reino que ele mesmo entrou.
Equalizado e sidério, por vestidos de seda, gravetos e gravatas.
Por versos que correm e trasmutam léguas e des(encontros)
Dos relógios, engomando nuvens
A decompor as horas, os lábios improvisando o riso
E assim, vagaram até a rodovia final,
Enquanto ela repousava serena em seu ombro;
Tentava afagar algum toque, ser presença; soprar algumas plumas de nuvens por ternuras e beijos: pra te alcançar.
Bastou o nado, as braçadas, sendo em vão.
Exausta, seus braços não lhe alcançavam como dantes
Ele estava a deixá-la na próxima parada,
Verberava entre as folhas, os trilhos, enquanto suspirava vestígios;
Sem saber o gosto, sem saber de suas marés – de rebento.
Filha das ausências desfolhava sonhos
Em teu colo segregava um esvoaçar murmuroso
Eflúvios silenciosos concediam alvacentos de suas histórias desencontradas;
Seus suspiros, sua imagem enamorada.
Estrela cujo seu convés purpurava sua noite, mas como era maré; dela se escondia.
Preludia palavras e seus sons saltavam-se; ele já em despedida.
E o Amor quando está recolhido sob sombras, diante dela alumia.
Agora embala suas próprias utópias
Pincela o Céu com seus dedos trêmulos, inalcançáveis.
Nauta seu Reino, com um canto perdido e âncoras soltas
Ele floreado do próprio vento – serpeia quieto seu úmero
A chegar no último sinal vigoroso
Enquanto seu corpo feminil reclinava por um instante ao pastor de suas tardes.
Não sabia, mas o olhar reflexivo dela a faria ser a saudade presente, enquanto era o Amor o tempo todo.
Respirou forte com a fronte deitada ao seu lado;
Ressoou o último rugir do Trem; última onda, pávida revelante.
O moço virou-se, pediu-a para ir e descer, e entregou-lhe junto as suas partituras um papel de letras embaralhadas.
A distância era a desculpa; e suas intermitências e o fazia represar todo o sentimento.
Deixou-a trépida, vestida de aurora a menina foi,
E engoliu à seco todas aquelas linhas, todos os Reinos, toda a Nárnia em Poesia.
Longo silêncio, tropel de tempestades no peito frágil
Quieta, contemplava sedenta seu infinito, onde acreditou ser seu bem-querer em pele, vogais, e reticências tantas.
Parou os trilhos, harpas flamejantes. Desceu ainda olhando pra trás, banhada pelos primeiros
raios daquela manhã, quase desfaleceu.
Enquanto aqueles trilhos já iniciavam a nova viagem, olhou novamente pra janela, a espera somente que do outro lado ele a dissesse que voltasse, que o que foi vivido naquele Reino, de Ilhas; e Montes e cumes Santos, teve um Querer; foi real, foi além das próprias palavras. De suas peles e almas, que se escolheram.
Surpresa prendeu o ar, envolta ao vernal da brisa em seus cabelos.
Apertava contrita o esterno, olhava aquelas linhas, a revelar o avesso do seu sentimento e a dissipar a canção dissonante do moço.
Ouviu, leu, silenciou...
Depois de ter recebido os pincéis das mãos dele, as partituras, stacattos e estrofes inacabadas... Virou trêmula, carregada de notas lirícas foram feitas suas lágrimas.
E devagar, seus pés tocavam um chão desconhecido agora. Não havia palavras mais e nem menos a ser dita, ficou muda; foi um não caber em si.
Seus passos iam lentos em uma estrada sem nome, se endereçava às primeiras Colinas.
Enquanto o Trem seguia, tacteava algumas rochas, ignotas em desventura. Tampou com a mão um dos olhos, o sol já dilatavam as pupilas e seus olhos claros. E foi pausando leve, afinando os tímpanos no crepitar dos trilhos a levarem o moço.
Sentia enquanto subia o Monte, o passar pelos seus pés: as Estrelas, a Ilha que alçava o frescor junto as formas sinestésicas; de todas as suas vastidões. E aquele cheiro de canela, mentol-amadeirado e do gengibre, aguava ainda sua boca. Da sua barba por fazer, seus lábios, e infundiam o além no oceano.
E aquelas sim; as formas geométricas musicais das Minas e das Dunas, do queixo quadrado, eras tu.
Engoliu à seco, todo aquele cais, e lonjuras incontestavéis, recolhidos por ele e todo e qualquer tentativa que se desinsuflassem entre os sibilos daquelas entrelinhas. Assim o Amor errante prefere não se desdobrar mais diante dela. A menina agora ficará por algum tempo em um Monte, chamado Sião. Até que, amorosamente o bem-querer se deslize nos origames de algum papel mâché.

(Fernanda Fraga)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Dedos das Mãos...


Nunca te chamei de Pedro,
Mas poetizei com sílabas doces
A afinação das notas por onde fostes.
Então, orquestrei o medo.

E assim fui...
Regendo teu nome nos dedos das mãos
Contemplei teus olhos, por todos os versos
Gritei! Mas veio Mateus e João!

E assim vou...
Por sobre a chuva, Rafael me leva.
Passeio com ele e contemplamos o sol.
É certa minha vinda, e aqui estou.

Nunca te chamei de Paulo.
Mas decerto teu nome deságua ao vento
E simplificas a sinfonia e a este sentimento

E assim fui...
Dissipando flechas num único olhar
Abracei teu mundo, colhi tuas frutas
Das acácias, veio Bruno e Lucas.

E assim vou...
Com meu navio, Gabriel veleja
Guiando amores nos lençóis de areia
Disse-me: Até breve, pois o anjo voou!

Nunca o chamei: de nome algum
Mas ocultei de certas letras
A este marasmo que o separa e o trás.

E assim, orquestro teu mundo.
                                                       Buscando por tão-somente um sorriso teu.
Afino por entre os dedos
A mais bela nota: Romeu!

(Fernanda Fraga, 18 de Fevereiro de 2004)




quinta-feira, 7 de junho de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Conchas Sonoras...


Debruçou os olhos nos meus
Num arabesco indivísivel de nós dois
De nuvens, horizontes e mais nada
Mas ouvia-se conchas sonoras,
Sentia-se a seda destilhada, do puro orvalho e seus sentidos.
Um nácar, desejoso para ouvir e para ser.
Ouvia-se réstias, estivais alargando as íris;
fervores no peito repercutiam
Eram amanheceres, solares;
Insuflações diafragmáticas.
Um silêncio desbravara todos os meus poros, o mar – Amor.
Principiara –  repousar sob a brisa
E desfolhara a flor.
Por isso, soltei o vergel dos meus beijos nos teus cílios
Para trazer pra perto.
Como quem concede sabores:
- Tua lira em algodão-doce
E se derretiam em nossas bocas.
Por mãos sem improviso;
Por versos a desembrulhar as memórias da minh´alma.
Desdobrara: - O sol de meio-dia;
Hora que não é meia e nem se repartira
E tudo, tudo o que pressinto transborda
Para clarear os olhos, para aconchegar;
Devorar-se-ia, se soubéssemos, de tudo que nos vem em Prece.
Em algum trecho, um papel embrulhado, um aceno
Agora pois...
Deponho-te sob a plácida Estrela
Enquanto a lua desponta o Mar.
Enquanto o que há em mim perdura no clarão dos círios
Enquanto a saudade infinda
Enquanto o manto que nos cobriu é volúvel
Um eco com vãos;
Que o tempo transmuta
Diante de uma cascata poética entre meus braços
Sob tua fuga e o meu caminhar
A sorvir nos lábios, nas dunas
Do Mar e de mim.

(Fernanda Fraga)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

terça-feira, 1 de maio de 2012

À margem sacramental...


Da ventura dúbia findou-se algum pranto
Driblou o oceano dos aléns de ti.
Anéis, diversos, soltos nos embaraços das mãos.
Desmedido o desenho das linhas, dos lábios
Tão macios e adocicados se fizeram compassos
Em próprio deleite - não despedida.

Por destrás das nuvens, no chão, suas cores movem-se a mim.
Projeto-me, na medida, que a distância já se faz contida;
Mas não ao Adeus descrida
Em um breve traço saudo a ti.
Lira-cântaros, arco-íris, desprega ao Céu jardins.                               

Sob o verso que se inclina
Atravesso, ousada aos teus olhos pelo Mar alvedrio
Aplacou-se, a um solitário navio
Onde está o seus rastros?
Por onde andas?
- Nas Brumas, dunas, de Ilhas-espumas de igual mistério
Desdobrado em meus ouvidos, íris-submersas, sede assim – papel embebido
Viração, revolto, tintas e pincéis mar(fins)
Reconduza a iluminária dos Ilhéus e bandolins - apaixonados;  
Pelo fulgor e seus artifícios

Será que deseja-me? – Desejas essa alma hermética?
Esse corpo, essas curvas e suas cadências barrocas?
Pele fina, sedosa; arcabouço esbelto, por ti virginal
Há um grito meu na praia deserta,                    
Nessa nota acústica que cintila meus olhos e a lua.
Branqueia, colore, rodopia; bebe e resseca-me à margem sacramental
É um oásis tão meu – vê-lo assim  A-m-o-r-de-perto; assim longe, longe...
O orvalho resvala, gesta violetas diante de ti.
Tão cedo os lábios se amaram
Vibraram-se n´alma
Que pernoita à espera de ser um dia
Os sonhos seus.

(Fernanda Fraga, Montes Claros- MG, Outubro de 2011)



OBS: Imagens do Google sem site específico.

PS.: Esse poema ou qualquer coisa parecida, há tempos me olhava, mas acabou se perdendo e se encondendo entre os outros, faltando coragem para postá-lo aqui; e hoje lendo tanta coisa, ele novamente veio à tona e resolvi postá-lo é antigo, mas atual.