segunda-feira, 12 de março de 2012

Dessa Falta...

Está faltando alguma coisa aqui, está faltando... 
Está estranho, tem silêncios; tem seu nome na página do lado, teus gestos em tudo. 
Tem inúmeros suspiros, mas não tem você.
(Fernanda F. Fraga)


domingo, 4 de março de 2012

Duas Ilhas...


Ele sempre me intimidou, talvez pela largura do riso, que já vinha desprovido de armadura. Embora eu ainda, eu ainda esteja em rodopios... Afinal, mapeei andar de mãos dadas com aquele menino. Colorir todos seus papéis em branco. É dele todos os meus pensamentos, minhas certezas estão montadas num abraço de espera, todos os dias antecipo as horas só pra poder imaginar cada linha desse Amor pintado de arco-íris. Redescubro meus vazios preenchidos no além dele. Na estrada que perpassa por entre nossos próprios pés, ainda que inundados de silêncios e querer. Ainda que o contigo seja comunhão, poesia e templo seu. Ainda que a rima seja o único caminhar de duas almas, tocando o mesmo refrão na mesma sintonia descrita como elo, ainda assim menino, deixe que essa brincadeira de querer bem se fixe centenas de vezes em cada detalhe de nós dois. E traz o seu olhar para perto e de volta. E sane essa minha saudade buscadora do azul da lua, do frescor da sua Ilha. É você sendo o céu e a terra deitado em meu colo. Transborde em mim? Pele a pele. Gruda a tua fragância no colo dos meus pensamentos, risca a tua pele na minha feito caneta, deixe que este teu riso saia dos meus sonhos pra brincar de fazer caricatura do vento. Moço, principie. Venha impactar a poesia e seus beijos para dentro e suspire para fora de mim. Daquele jeito, de quando fomos tecidos a margem das últimas águas de março. Onde os afluentes de sua Ilha navegaram para algum encontro. Eu para chegar nos primeiros raios de uma manhã de abril e você a nascer um dia depois do sol banhado a lua azul: suas digitais nas palavras minhas. Acende a noite meu bem, com a tua estrela cadente, deixa que o mundo gire pra gente num sopro. Na nossa Ilha, chamada laço, no estreito do meu ombro, onde teus olhos vigiam a delicadeza do amor. E pincele seus nuances em mim, moço. Por entre meus olhos e seu queixo quadrado, a trazer nosso riso no cirandar da noite, só pra ficar contigo. É nesta dança de corações colados que meu pensamento se esmaga na quietude da tua voz. Teu silêncio é o verso que a minha alma precisa. É no carinho embriagado que confesso a saudade de estar ladeada novamente de ilusão. E a noite traz o brinde da lua, duas Ilhas e um Oceano de amor.

( Fernanda Fraga & Ju Fuzetto )



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Não permito...


Há alguns dias coisas estranhas vem acontecendo.. E eu poderia fazer de conta que não li, e ignorar. Já fiz isso na vida, muitas vezes. Mas limites somos nós quem colocamos, nem tudo pode ser permitido. Não poderia deixar passar isso em branco. Não mesmo. E é para você que vem rondando meu blog por aí e comentando anonimamente como se fosse o dono(a) da verdade, como se o que eu escrevo estivesse destruindo alguém, como se me conhecesse, como se um blog fosse o suficiente para montar e julgar os escritos de uma pessoa. Ei, não sou escritora. Eu sou apenas uma amadora das palavras. A título de curiosidade, não comecei a escrever da noite para o dia. Tudo foi acontecendo naturalmente nos pueris dos meus 13 anos, hoje tenho 27. Foi um bordado bonito e despretensioso que a Poesia teceu em mim, cada dia um pouquinho. Gosto de ver o deambular das letras e ouvir o som das palavras. Eu as escrevo também como quem dedilha um piano, decifrando notas musicais (...) E apuro também, assim como um corpo em movimento, arpejando andante em minh´alma o que na do outro já escapou. Eu não escolhi, não decidi escrever, não desejei isso, aconteceu. E se estou ou não falando muito de dor, amor não correspondido. Não importa, mas eu sei e sinto dentro de mim que meus textos e poemas estão naturalmente se renascendo da dor.
Portanto, leia outros blogs se não gosta do que escrevo, tente VOCÊ escrever do jeito que gosta. Porque eu não escrevo por encomendas, não escrevo pela vontade dos outros, e nem tampouco pra sua. Eu escrevo pela vontade dela, da inspiração. E os gerúndios? Faça você, a sua conjugação. Eu acredito no Amor sim. Acredito nos teares da humildade, das permissões das mãos que podem curar-se, e volto a dizer; poque o tal Amor também já é cura, mesmo sendo também dor.
E quanto ao que você imagina de mim, deduz; suspeita de mim.  Eu sinto muito. Muito mesmo. Eu não permito tais imaginações.

Encontrei ontem um trecho de uma pregação de Pe Fábio de Melo e diz:

“Você? Você sabe quem é você. Agora eu pergunto: o que você está fazendo do que você sabe do que você é? Porque uma coisa é a gente saber o que a gente é. Outra coisa é a gente saber o que a gente está fazendo com o que a gente é. E pior, o que a gente está deixando com que o outro faça de nós. Porque tem muita gente imaginando você. Muita gente me imagina. EU SEI QUEM EU SOU. E não tenho direito de me transformar na imaginação do outro, porque pode ser que o outro, esteja me imaginando totalmente diferente do que Deus me FEZ. E entre o que Deus me fez e o que o outro me imagina, eu ainda prefiro ficar com o que Deus fez.”

(Fernanda Fraga)


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Entre(laço)

   Lá fiquei a observar apenas com os olhos aquelas raízes que se birfucavam por entre os meus pés pequeninos. Ela era frondosa, suas folhas eram como cachos rochosos que se atravessavam nos arvoredos até que meus versos saíssem em descompasso no ponto, no abraço dela. E aceitei o convite para deitar em seu colo e ficar ali a fazer desenhos com a pontinha dos meus dedos nas nuvens do Céu.
Rajados de vento no ar tranzitavam. E o nascer dos meus sentimentos eram conduzidos ao seu caule, como em minhas veias. Seu crescimento era ordenado e firme, tal qual como a margem da minh´alma. E da lâmina macia da brisa que cortava meus silêncios. Entre o seu dorso amadeirado, penetrei naquele aconchego; os galhos faziam-se de repouso e balanço para os meus sonhos.
Enquanto me ajeitava sobre suas folhas no chão enraizadas, na frescura de sua sombra; meus olhos novamente acompanhavam o movimento verde prado do tronco; que mantinham enquanto o vento fazia-se de dançarino com ela. Um instante apenas, ali absorta naqueles braços, ainda que por um instante. Eu pude encontrar a dimensão de Deus entrelaçado em mim.

(Fernanda Fraga)


“Da raiz que me fez fruto, desfruto a Divina condição”. (Fábio de Melo)

Imagens: Google sem site especifico.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ser também Vida...


Os sons dos passarinhos abrem as cortinas do ent(arde)cer na trinca do dia.
Do fundo, do que vem de dentro e não lá. Nem tampouco das lembranças, mas do que é.
Do Ser regente da memória que fui e vem florescer. Tornei-me canto nas tardes onde o sol a(dor)mece sozinho. Para deixar de ser apenas manuscrito dobrado, ou tela amarelada a tecer só rabiscos. E em suas asas voar alegre. Cantar liricas, de tão macias e fortes a desfazer as opressões. Querer reportar as dores sem submissões, porque em todo o tempo; elas me são redimidas.
Um veludo tonalizado de Outono se desdobra em meio aos suspiros, nas insuflações do meu diafragma. Alguma parte sua avistou-me por aqui, num monturo de pesos e levezas que às vezes o peito aperta e vem em mim dúvidas. As sombras sempre vão existir e confesso que todo o horizonte que Celebro; mesmo sem o seu Amor, faz em mim ser também Vida.

(Fernanda F. Fraga)

Imagem: Google sem site específico.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Culminara seu Amor...

Nas areias da Ilha, ele já partira
Vejo-o bem lá, a remar sem acenos
Sua imagem levita em mim, mas não pousa
Sentinela aberta que o fôlego consumira
Lancei nos versos,
Nas dunas a sua continuidade
Foi-se como faísca; breve nota, mas sustenida
Vi seu desporto, sua travessia
Minh´alma descuidosa, desarmara
Própria dele, deixou-a partida
Própria dela, sedenta
Pela água que não alcança e não consome.
Própria dele, com Clara.
Própria dela, sem o lume.
Próprio dele, com as pétalas.
Própria dela, sem a Flor.
Algum artefato que mobilize
Suas inspirações em texto-vida
Seus oásis desfigurados
Sequidões, agora em Poesia.
Um olhar na fissura lhe atenta
Para conjugar em corpo
Remodelar a Palavra
O colo, cujo verbo invariável
Culminara seu Amor.

(Fernanda Fraga)

Imagens: Google sem site específico.


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Uma Cura...

   
Uma das coisas mais bonitas e preciosas que fazem encontro com as minhas fragilidades e as de quem me olha, de quem me ilumina, de quem ver em mim uma imensidão de Deus bordado em poesia.
É os teares da humildade, das permissões das mãos que podem curar-se, porque o tal Amor já é cura, mesmo sendo também dor. A nos fazer ser na Vida, memória. Sem querer viver pelas sombras; bastidores, ser peça principal, céu estrelado. De alma nua; com dor, mas amando.

(Fernanda F. Fraga)

Imagem: Google sem site específico.