domingo, 5 de fevereiro de 2012

Apenas Metade...

Um suspiro bom, exalado nas páginas que ampliam inquietações e a paz vocalizada entre seus dias e os meus. Mesmo sendo apenas metade, mesmo sendo contramão do rodapé da casa e da folha em branco. Do cabeçalho sem margem, sem linhas nas minhas; entre uma porta aberta e uma janela perpassada no ritmo e na valsa de suas brisas. 

(Fernanda Fraga)



PS.: Imagens Weheartit  
Um comentário meu feito no texto Invasão de Paz do Blog Re-Nascimentos de Rafaelle Melo, virou esse pequeno fragmento postado aqui.
 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Amplidões...


Deixa-se escorrer nas frestas, pelas beiradas; nas amplidões, elas sempre nos mostram algum poema colorido, um laço-de-fita desembrulhado; onde suas reticências são apenas as demarcações de todo seu infinito.

(Fernanda F. Fraga)


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um minuto...


Tempo...
Presunção humana pautada na espera em que os relógios lá do Céu pontuem outro segundo, outra ciranda de rodas. Enquanto o nosso corre  trilhões na ligeireza.
Um minuto sem piscar os cílios; para que seus olhos descansem bem cá, lendo-me.
E o coração no tic-tac à espera do mesmo abraço.

(Fernanda F. Fraga)

Imagens daqui: Weheartit

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Laço Bonito...


Ruiu ao cansaço...
A dor nos punhos. Alcancei um mero espectro do Girassol. Tracei uma linha fina, quase que transparente no espelho encostado do lado de lá.
A fraqueza revestida entre a pressa de aguardar sinais de fumaça, ausências e a demora de chegar a tudo; que foi e é. Uma hora encontra-se, uma hora a gente não se perde mais. Só para abraçar sem desprender-se uma Alma da outra, só para alcançar voos onde os pés cansados já não alcançam mais; só para voar de balão enquanto a tristeza vez em quando rouba os meus sonhos; fragiliza as mãos, resseca a Poesia, trás enjôo no estômago e engole sequidões. Só para fazer ciranda com os ventos enquanto meus cabelos bailam no ar em algum canto junto ao verso seu. Só para desconfigurar diversas tentantivas de refúgio para ser em-mim-morada. Porque eu já confessei você laço bonito.
Vestimos-nos nas palavras, mas fomos também corpos nus sob a Luz vislumbrada. Fomos o avesso e o afastamento. A melodia da manhã e o silêncio a fazer orquestra com os passáros em pleno domingo de sol.
Exausta eu me encontrava a cada dia, meu peito gritava quieto enquanto o ar faltava, enquanto sua ausência se completava; enquanto àqueles relâmpagos desalinhados refletiam no espelho de mim mesma. Estremecia muito, clareava muito. Meus suspiros naquela tarde faziam coro com as gotas da chuva refrigerada na varanda aqui de casa. Uma vazão de mim sem você. Uma falta que eu murmurava, por entre seus vestígios e a minha desventura.
Por sob alguma tentativa, um alcance longínquo da linha de chegada, de algum pódio ou até o último lugar; mas sendo-nos. Encontrando-nos. Ainda que a Luz plácida perpassasse a nossa íris e desmotivassemos. Abrigamos-nos. Ainda que o destino pareça não nos querer no mesmo espaço, na mesma esfera do Amor que cremos, só para não sermos nem menos e nem mais.
Que o desdobrar dos lençóis de Musselina tragam sem pressa a maciez nas minhas peregrinações tantas vezes negada.
E a vida, ah... a vida, essa mesma; que ela regue o Amor e faça barulho bom de quem sai pra ouvir sons de violinos e pianos na Chácara do lado.
Dessa saudade que nos faz lembrar dos manuscritos, das rezas; dos condimentos, das comidinhas, dos doces; dos versos, das linhas, onde meus abraços tentam tocar-te sem entre(linhas), sem o retrós contrário, mas que em mim vivia.
Será que há ainda espectros? Girassóis? Amores? Há ainda as janelas? Há laços? As pontes? Haverá sim, dizia os relâmpagos. Há o Amor sabendo-te menina, há uma Alma em que trará ao paraíso de suas Ilhas, o Céu entre seus olhos. Suspiros... Há uma grande urgência, há você longe-perto na tranquila distância dos meus úmidos lábios sem os seus.
(Fernanda F. Fraga)

PS.: Imagens do Google, sem site específico.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Pincéis do Pintor


Pincéis do Pintor

Raio que rasga do infinito
Arrancando o resto que ficou.

Recortando em papéis
Os fios que restou.

Raio que rasga rugindo
Raivando na rua o medo, o temor.

Raio que rasga no céu
Rebuscando a raiz que estrelou.

Raio que rasga no arco-íris
Repitando as cores do Amor.

Arranhando todas as partes
Das faces do desamor.

Raio que rasga na rapidez
Da rispidez que raiou.

Raio que rasga nos pincéis
Dos beijos-róseos do pintor.

(Fernanda Fraga)

PS.: Imagens do Google sem site específico.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Flor-semente...



Gosto de cuidar com paciência do meu jardim que cresce a passos lentos e ressurgi sem o medo das tempestades da inveja, do (des)amor. Da Fé semeadora onde o desprezo, amargura, o descaso; do amor não correspondido não aniquila o meu agora e nem o meu depois. E se a espera de possuir a colheita da flor-semente, dos versos trocados, das palavras cultivadas, da eternidade que não germinou nosso presente. E cujo resgate possuía, ou melhor possui, o adubo da célebre-terra, do cuidado seu; do jardim que nos possui, do beijo que não se esqueceu de resgatar e nem de devolver. Possuir, sem p-o-ss-u(ir), sem nos alcançar. Se por hora às vezes vivo na travessia desses questionamentos, a vagar perguntas sem respostas sempre na mão dupla. Por entre encontros que não acontecem e não se consomem. Do alcance inatingível, onde todo meu voo tem a leveza da brisa que alcança e abraça a prece rogada a Deus.
Do breve e tímido silêncio que carrego em mim enquanto faço a varredura das folhas nesse chão onde meus pés diariamente deambulam e vislumbram plantar as melhores sementes. Embora com o corpo fragilizado das colheitas e plantios anteriores. Luto todos os dias para que as águas do mar nebuloso não naufrague os ramos, as rosas, as poesias; o florescer do Amor que creio.
Ainda em êxtase, o firmamento tenta anunciar seu desporto num cais qualquer, como noutro tempo, como aquele bem-querer do moço em minha idade pueril, aquele marcado, aquele cuja as forças dilaceram em dor intermitente, aquele cujo o céu azul desbotou por temporadas a fora e pariu nos meus átrios uma fecundação em flor poética. Possuir sem possuir-te.
A casualidade fez da minha inadequação passada separar melhor meu plantio, cuidar do agora, dos floreios, das mudas. Embora arrisquei algumas sementeiras que não vingaram, mas veio fazer-se também estória. Talvez uma algia me ocorre e arrebata os punhos há três meses, um cansaço nos joelhos por ficar prostrados no chão por dias a fio, onde regi ou tentei fazer-se janela; paisagem sagrada a espera de brisas. O espaço onde meu Amor foi fazer-se grande demais, capaz de abargar aquela abertura vivida, a assustar o brilho do girassol. Um dia noutro tempo, uma época em que não aconteceu, ele afongentou-se covardamente. E ela, nem sabia o que viria a ser hoje seus dias e vivificar a mística narrada outrora em seus puéris tenros anos. Ao passo que sua coragem já ditada antes mesmo de saber qual voo flutuaria seus pés por sob aqueles desenhos de quando pequena rabiscava o papel do pão: ela e ele passeando de balão. Qual seria a cor lilás da rosa que plantou. Dos sussurros e ar(dor) do íntimo dele dentro de mim, a tentar possuir no atrito das epidermes cavernosas, naquele espaço apertado, úmido-quente, difícil; só para romper as membranas, os vasos sanguíneos fininhos dentro, bem dentro e consumir-se mutualmente os dois, fazendo-se apenas um. E o coração saltitava e desencontrava a confessar sentimentos, enquanto preparava sua terra, desde sempre. Assim em todo o tempo arava esses espaços, de ciclo a ciclos, recompondo os vãos. Enquanto a impossibilidade das aragens, ou mesmo das tempestades tentavam arrombar e carregar o Crepúsculo de dentro de mim.
Foi então que eu me convenço que esta dor doutro tempo me acompanha e se repete e me faz ser opositora de mim mesma. Porque encontro novamente ao que me fez perder os eixos, mas ao passo que, pus-me a mudar a rota; traçar os descontornos do chão, n´uma nova anatomia radiografada. Porque vejo e inspiro que o raio do Céu firma a luminosidade das rosas, aquece as raízes a se move e a pousar no campo escolhido, sem intenção de te escolher.
O gosto doutra época, incinerava minhas inquietações e fui-me para outro rito. Almejar alguma reciprocidade, mas tentando arar o adubo novo, as sementes e mudas semicoloridas, sem pretensões. Só predispondo eternizar o verdadeiro. Carregar mesmo com os espinhos, Cravos, Girassóis, Tulipas, o Amor nas minhas próprias mãos e preparar o solo. Afinal, após as chuvas, a terra se alimenta, se desmancha. Sendo mais propício para o plantio.
Exala em toda a parte do quarto uma continuidade de perfumes amadeirados e feminis, inspiro ar fresco a hortelã que a pele dele liberava após o banho. É o convite da Vida, onde os cuidados com as pétalas fará amenizar as dores, pincelar com destreza os raios de Sol e essa Flor que se multiplica em meu peito.

(Fernanda F. Fraga)
PS. Imagens do Google, sem site específico.




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O menino-homem ...

O dia já amanhecera no bairro movimentado do interior de Campinas São Paulo. Numa sexta-feira em início de verão, vésperas de Natal. Ele fora despertado pelo Sol cálido que anunciava no horizonte, eram raios a tocar, a aquecer seus poros na cama desarrumada. O dia lá fora esperava-o. Sentou-se naquela cama macia, que um dia desejou dividir, confessar as grandezas dos seus beijos, dos carinhos, das entregas; somente com àquela que fora formada de coisas miúdas, àquela que fora reconhecida pela singeleza e fora nascida entre o sol e o luar, entre a palavra e a redenção.
Era custoso o alongar dos meus músculos e espreguiçar toda anatomia de um dia anterior exaustivo. Confesso, o meu olhar já se encontra mais reservado, quieto frente a sua alma que resplandece acolá. Mas recordo com alegria como era gostoso e inspirativo tê-la como abrigo na casa de sua palavra. Sua crença de que o Amor verdadeiro também é Poesia que revigora nossa Vida. Que eu era seu asteio e construia castelos nas areias e desenhavámos mares capazes de nos abrigarmos e velejarmos nesse mistério onde meu abrigo passou a ser alívio de suas angústias. Onde o nosso Céu poderia ser pincelado de qualquer cor. Enquanto que a mente, a inspiração é barco capaz de transportar nossos sonhos e materalizá-los em qualquer lugar. Por isso estou acoado, do lado de cá, numa reflexão de não saber o que dizer a menina dos olhos claros. O que dizê-la? Uma predileção urgente a mim e a nós mesmos? Um esconder-se em si, como face oculta que revela seu arcabouço do que confabulamos? Ou por que o Amor que ela nutri fora escondido tanto quanto minha ausência que se oculta e somos agora também?
Caminhando entre um corredor e o outro da casa. Em passos lentos vou ao banheiro, visualizo meu rosto no espelho, uma face de um rapaz de quase 27 anos. Vejo ainda refletir telas pintadas por pincéis que marcaram profundamente a pele, os músculos; as linhas na minh´alma. Tantas marcas, infinitos registros de amores e Amores. Toco meu semblante, sob a barba ainda por fazer e sem me dar por conta, retomo os pensamentos de que poderia ser a suas mãos menina, a afagá-las. Para permitir navegar as suas procuras. Pensei bem de relance. Mas eu pensei.
Nesse lambuzar de gostos e palavras que você tramitava em suas Poesias, mas que eu não degustei, não comunguei do seu desejo. Pus-me lavar o rosto, que fora também confidenciado pelas entrelinhas que deixei desalinhadas por aí, onde o meu sofrer sem dizer coisa alguma, configurou sua Salvação, a sua leveza e a minha Cura.
Após isso, fui até a cozinha, minha mãe preparava o café e sorridente dizia que meu irmão mais novo estava a chegar de Portugal para passar o natal conosco. Ouvi contente também, enquanto tomava o café com leite e comia um pão com manteiga quentinho. Acompanhando a fumaça que evaporava da xicará, ao mesmo tempo meus olhos fitavam as folhas do quintal, balançavam docemente e inauguravam os primeiros dias de verão. Permaneci assim por alguns minutos, enquanto as recordações daquela moça, retomava as minhas lembranças, a mulher dos lábios macios, vermelhos a cor de amora.  Contudo, a ausência que estamos ocupa o mesmo espaço, que eu escolhi, mas em territórios diferentes.
Acabei meu café. Dei um beijo na minha mãe e fui a mais um dia de trabalho. Sai por entre as ruas do meu bairro e com o gosto da refeição matinal na boca. Olhei para as árvores e vi igual completude dessas coisas tão simples. O mesmo que ela fora feita.
Esse processo das horas, espaço, das coisas em seu momento devido. O nascer desse Sol, enquanto àquela que fora moldada a seda, exala em seus escritos o cheiro de outono e primavera. E se enfeita de suas inteirezas, de sua falta de ar que é insuflada pela paz e o Amor que profere, mesmo partida. E sábia como ela, pôde em pouco tempo conhecer, degustar os meus sabores, das minhas palavras, do meu ofício. Enquanto que eu quis saborear das minhas ausências, não pude saber qual gosto trilha os continentes dela. A dimensão desse arranhacéu estrondoso e poético.
Uma mulher bela, de pele alva, de cintura fina, franzina, conseguiu tão bem se libertar de suas dores passadas, aliviá-las, olhá-las para trás sem tanto peso. Pequenina e assustada com tanto sentimento dentro de si, versou-me como seu Amor. O menino-homem da casa de suas palavras.




PS.: Imagens do Google.

(Fernanda F. Fraga)