terça-feira, 17 de maio de 2011

Querer...



Eu queria tanto, mas tanto você, que fosse como uma flor que caísse; na palma da minha mão.
(Fernanda F. Fraga)

 

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domingo, 24 de abril de 2011

"Porque eu quero o confessável"...

A maior confissão que eu li e me encontrei verdadeiramente; foi em você. E não me escondo disso.
Um infinito novelo de linhas costuradas. Tecidas em palavras, moldadas nas entrelinhas por pedaços dos meus desejos; que são seus.                                                 
Que posso ser muito mais que nossos versos soltos alinhavados noite à dentro.
Tecidos em tantas verborragias subentendidas. E moldadas nessas letras, pedaços dos meus anseios que colhes; a cada sorriso que me arranca. Levando em sua alma: partes de mim.
Porque eu quero o confessável. Embora às vezes eu esconda meus olhos, desconverso situações, mas no meu peito pulsa no mesmo instante em que seus versos tocam meus segredos mais bonitos. 
Quero entrelaçar esses laços, encurtar as distâncias, selar corações. Ser o trecho grifado nessa história.
Quero sair de uma vez desses esconderijos desencantados, de sonhos ilusórios, sabe?
E ser sim, pausa longa quando pedires colo e uma reticência plena de beijos...
Em segredo que prefiro brindar todo esse carinho. Não de uma vez; mas gota por gota. Pacientemente...
Assim é mais saboroso. É um vinho mais completo, é uma presença sem medida. Que é degustada nos meus lábios um registro do que é você para mim. Um aconchego, um abraço sempre entregue, um beijo demorado.
De fato o amanhã é um tempo que nos refina, que nos prepara dentro de nós. Que nos comunga.
Que vai lapidando com minhas mãos pouco a pouco aquele quadro que desde então tenho pintado para você.
Agora me reinvento e vou ornando aquele Monte e brindo do seu Cálice para sanar essa sequidão de urgências. E tento descomplicar o óbvio, o que é evidente entre mim e você.
De pés no chão também já vou arando a terra da minh´alma. Para que tão-somente você chegue sem cismas. 
E como uma contemplação revelada, deliciamos nessas sílabas; que se escorregam de nossos lábios: uma deliciosa confissão, um riso encantado; uma afinidade liberta.
(Por Fernanda F. Fraga)


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domingo, 27 de março de 2011

(...)"Há de ter um sopro, um suspiro, que pode até doer, mas me fará tecer por um fio; a mesma flor que Ele trouxe pra mais perto"..



“Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. (...)
É aceitar doer inteiro até florir de novo” (Caio. Fernando Abreu)


O sol vai se pondo mais cedo nessas últimas semanas de Março. Aquele calor vem dando espaço aos dias mais chuvosos, garoinhas, só para esfriar. É o intimismo do Outono. Ele chegou. Tomou espaços com seus extremos e seus ares de um novo dia. E nessas andanças, toma-se como rito: a queda das folhas em solo Encantado. As cores das paisagens são vistas em tons mais pastéis, do vermelho ao amarelado.
Deixei-me desabrochar assim em ar convidativo, mas era uma urgência que me letrava, que me pautava, e me beijava em rimas, em prosas e desafiava-me a abrir as cortinas e lançar fora toda a poeira de dor que insistia em permanecer por ali, mofando. E não abri mão. Deixei-me ir.
Por vezes percebo que essa estação é uma alavanca em minha vida. Digamos que uma válvula de escape. Porque tem coisas minha gente que é preciso retirar, arrancar do peito se for preciso. E mesmo que o Outono seja uma etapa de perdas. Sei que o “arrancar” do peito também é uma “perda”, é uma entrega: é libertar-se. É arejar, tirar as névoas, afastar os móveis e ir bordando noutros lençóis, noutras telas, noutros jardins.
Minh´alma se iguala. E é dedilhada pelas notas dessa estação, como um ar fresco exalado dos lábios de Deus. Talvez, necessitamos que as coisas tomem seu curso, deixem ir. Sabe-se lá, também, que as folhas das árvores são assim, elas precisam cair, secar, para reviverem na estação recém-chegada.
Por ventura se essa “gestação” não fosse cumprida, as folhas se alto abortariam antes de recém-nascerem e morreriam sufocadas, pisoteadas.
E ele chegou bonito, escancarando adentro, rompendo em meu coração toda dor e lágrima que me oprimia. Por hora, decidi desprender de certas pessoas, coisas e recolhi os meus sonhos, minhas pétalas. Porque sei que há de ter um sopro, um suspiro, que pode até doer, mas me fará tecer por um fio; a mesma flor que Ele trouxe pra mais perto.


(Por Fernanda F.Fraga)

Essa música de Rihanna - "Take a Bow" diz muito do momento:



PS.: Só pra retificar rapidinho aqui meus queridos, esse texto é só uma simbolização de algo/alguém que eu precisava finalizar em minha vida há algum tempo, já não dava mais. E aqui é só mesmo uma forma de pontuar, virar a página.



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sábado, 5 de março de 2011

(...) Só porque esse Amor virou Silêncio...




Na frescura espessa em meus cabelos,
De lírios encantados,
Ponho-me a tecer pensamentos seus.
A romper nos olhos o escancarar da alma.
Pra corroer, extirpar, esvanecer.
Poupo somente o que é controverso do meu Querer.


Despedaço-me na certeza que ele foi
Que foi o Amor que rompeu cílios d´olhos vívidos.
Uma demora flamejante, de cicatriz exposta.
Sei lá, se é um engano ou desengano dizer.
Porque sobra tanta coisa
Abriga, mas fere.


Talvez...
Uma minúscula forma de aproximar nossos olhos.
Só porque esse Amor virou silêncio.
Sei que agora sou só: Solitudine.
Uma completude de mim.
Me encontro assim, em muitas esperas
E recolhidas sem fim.


Agora sou aquele grito que cravei
De sentimentos em libertas-lágrimas
Diminutas gotas dos Céus
Em terra molhada.


Eram meus quereres,
Nossas urgências ou as minhas só.
Outonos não consumados
Que naveguei de corpo inteiro.


(Por Fernanda F. Fraga)


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domingo, 27 de fevereiro de 2011

(...) "O doer nos olhos de quem só quis ser o seu agora".

“Nada há pra ser dito agora. Sobrou memória, e o tempo lhe devora. Não há rancor nem mágoa. É só silêncio o que em mim deságua!” (Galldino de “O Teatro Mágico).



Foi só um silêncio corriqueiro que bateu aqui no lado dentro. Sim, foi. Ocupou espaços, invadiu entranhas, se apoderou de mim. Deparei-me com aquele canto, com aquele riso meu que se recolheu assim tão fugaz. Palavras soltas, perdidas, subtraídas no tempo que desaguou em rio fluente, assaz.
É dessa forma tão genuína que eu tento de algum jeito transpor esses desdéns: em rimas soltas no ar. Em manhãs de sóis que foram rompendo os lanços do amor. E desaconteceu. Uma alvura desamarrada entre nós, sendo exposta em pintura desmedida. Por cores que eu quis pintar de um jeito certo. Onde eu quis salvar um pouco da minha alegria, o doer nos olhos de quem só quis ser o seu agora.
Esse dia fora relembrado em instantes. Por fração de segundos. Repetidamente... E doeu tanto. Foram memórias minhas espalhadas em folhas de papéis. Um sentimento meu assim rarefeito. Porém, até hoje ele continua envolto em eternidades, recolhidas nesses versos. E só ressurge em dias saudosos, em estações; como aquele espinho primaveril. Um remanço frondoso que a rejeitou até último glóbulo consumado.
Me vi chegando defronte ao seu grupo. Trêmula, com um coração na boca. Trazendo nas mãos mais uma carta, mais um orvalho solitário; de versos talvez. Lembro-me que cabisbaixa deixei cair uma pequena gota de lágrima, onde o tempo devorou-me, sem ímpeto algum. Sentia em minha boca o gosto daquela pele que meus lábios somente tocaram. Era talvez meu presente mais esperado para ofertar-te. Que minha boca pudesse ter tocado teu íntimo.
Contudo, foi um momento único, onde meus lábios macios tocaram apenas tua face. Mas a minha boca beijou tua alma. Assim eu creria. Peito pra peito, alma pra alma. Porventura para amortecer a dor. De tão dor(mente) essa ardência. Um soprano sopro de encantos, só para enxugar o choro da vida.

(Por Fernanda F. Fraga)

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Porque és tu, o meu Romeu.



Metade Silenciosa da Tua Face


Ó meu amor...
Ó acalento constante
Acalma-me do medo
E beija o meu semblante


Renuncio-te em segredo
E nos sonhos és a lente
Que ofusca seu próprio brilho
Que no cantar está em minha mente


Mas tu és...
O Romeu que eu nunca beijei
Além... e tão real... e tão leve...
Fragrância de amar.


E que na beleza clara de um anjo
Une-nos sem medo.
Num beijo sem pecado e perdoado
Porque és tu o meu amado.


Na minha alma suplicante
Em que tua fúria foi me renegar
E no vento que baila se beijando
E que oscila dos olhos chorando.


Ó amor, por que és tu
Quem me renegas
Se és a metade silenciosa da minha face.


Ó alma turbulenta ...
Carrega-me o coração que és teu
Nos meus lábios que esperas do delicado beijo
Porque és tu, o meu Romeu.


(Por Fernanda F. Fraga)


(Do livro de Poesias “Os Olhos do Coração”, Fernanda F. Fraga, editora Unimontes, Montes Claros - MG, ano 2003, pág. 86-87).


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sábado, 29 de janeiro de 2011

(...) Ser Inteira...

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Saltando por sob cacos de vidro e sentimentos teus. Macios toques a afagar minh´alma.
Em tempo fluido de águas claras, pus-me a rebuscar teus quereres, teus carinhos tão graciosos: pele a pele. Suspiros, arrepios, volúpia. Mas é difícil lidar com o passageiro, porque ela nasceu para o eterno.

E percorrera seus caminhos que exalam um perfume intocável, inausente e tão presente em mim. Ela vai todos os dias ao encontro daquilo que têm pincelado as nuvens do teu céu. Como aquela música que compomos aquele dia... Uma melodia matutina. Orquestrada. Pressentida. Peregrina. De Ópera divina. Por nossos beijos pautados e descompassados de lábios de venturas.

Onde ela suspirava pelas madrugadas a buscar seu alento, de abraços em noites acontecidas. Úmido gosto de beijos preenchidos, em cada canto nosso entreaberto. Sequioso. Eloqüente. Sim. Foste tu que atravessaste todo o oceano, território meu aqui escondido.
E foi alinhavando os contornos do meu corpo, me vestindo e desnudando com tuas vestes. No mesmo compasso que trouxe teu carinho a mim. Porque na verdade ela não queria ser só silêncio, só uma parte. Ela queria ser inteira.

(Por Fernanda F. Fraga)